Todos os pacientes que estão tomando o medicamento Androcur devem voltar ao Hospital Universitário de Londrina para exames e reavaliação.
O lote do medicamento que estava sendo distribuído pelo hospital é falsificado e não traz nenhum efeito curativo. ‘‘O prejuízo é inestimável e irrecuperável, tanto para os pacientes quanto para a classe médica, que não têm mais segurança ao prescrever um remédio’’, diz o urologista Horácio Alvarenga Moreira, do HU.
O médico explica que o Androcur é um remédio que atua na regressão ou estabilização do câncer de próstata. Dependendo do estágio da doença, o paciente toma de dois a seis comprimidos por dia. As visitas são mensais e, na ocasião da consulta, o paciente recebe todo medicamento que deverá utilizar nos 30 dias seguintes.
Durante cerca de quatro meses, os pacientes medicados com Androcur tomaram remédio falsificado. Horácio Alvarenga conta que, diante da falta de resposta ao tratamento, muitos pacientes foram submetidos a terapias mais drásticas para combater o avanço da doença. A equipe de urologia do HU é composta por cinco médicos. Segundo a assessoria de imprensa do hospital, oito pacientes teriam sido tratados com o medicamento falsificado.
‘‘Os responsáveis têm que ir para a cadeia. Não podemos aceitar que prevaleça a impunidade ’’, defende o médico. Horácio Alvarenga tem três pacientes que estavam fazendo tratamento com o Androcur. Os pacientes vão passar por uma reavaliação da extensão da doença e devem retomar o tratamento com outro remédio.
O advogado Renato Tavares Yabe, da assesssoria jurídica do HU, informou ontem que o hospital já abriu sindicância administrativa para apurar as irregularidades. O 2º Distrito Policial (DP) abriu inquérito para apurar os responsáveis pelo crime.
O delegado do 2º DP, Antônio Zuba de Oliva, já encaminhou cartas precatórias para Curitiba, onde estão sediadas as distribuidoras de medicamentos que forneceram o Androcur ao HU de Londrina.
O Hospital Universitário adquiriu 2.060 comprimidos de Androcur no final de outubro de 1997, de duas distribuidoras de medicamentos. As distribuidoras venceram licitação para fornecer vários remédios para o HU. O hospital só soube que os lotes de Androcur eram falsificados em meados de março, por um anúncio do fabricante. ‘‘Quando o fabricante confirmou que os medicamentos eram falsos, suspendemos imediatamente a distribuição’’, diz Renato Yabe.
O Hospital das Clínicas de Curitiba também foi vítima da mesma fraude. Comprou mais de 20 mil comprimidos de Androcur falsificado. Pelo menos 90 pacientes foram medicados com o produto fraudado. A venda de medicamentos falsificados está sendo investigada pela Polícia Federal. Segundo a Secretaria de Saúde do Paraná, além do Androcur, outros nove medicamentos falsificados estão sendo vendidos no mercado do Paraná e outros 20 estão sendo investigados.
Os medicamentos que estão sendo falsificados são: Triaxin, lotes 960012A; Sefozixidima 1g, lotes 96608A e 96010A; Trioxina, lote 707294; Granulokine, lote b101; Automed 250g, lotes 9088 e 96101772; Decadron Elixir, lote 9607146; e Moduretit 50 5 mg, lote 9610772.
A Secretaria de Saúde do Estado orienta: quem está tomando o remédio pela primeira vez deve ficar atento para verificar se ele está surtindo o efeito desejado.

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