HU aumenta rigor no pronto-socorro
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segunda-feira, 17 de março de 2008
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
O Hospital Universitário (HU) anunciou ontem que a partir da próxima segunda-feira, dia 24, vai implantar o atendimento referenciado (casos encaminhados pelo Siate, Samu e Central de Leitos) e aumentar o rigor com pacientes encaminhados por outros hospitais e Unidades Básicas de Saúde (UBSs). O hospital também vai implantar uma avaliação mais criteriosa nos pacientes que procurarem espontaneamente o hospital. Os casos que não necessitarem de atendimento em uma instituição de alta complexidade não serão atendidos.
As medidas foram divulgadas ontem pelo diretor superintendente do HU, Francisco Eugênio, depois de mais um final de semana de superlotação na instituição. No meio da tarde, o hospital mantinha os pronto-socorros (PS) médico, ortopédico, obstétrico e cirúrgico abertos apenas para urgências e emergências. Só os pronto-socorros pediátrico e da ala de queimados atendiam normalmente. O HU oferta atualmente 26 leitos de PS e ontem à tarde 37 pacientes eram atendidos no setor; um deles aguardava vaga na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Segundo Eugênio, aproximadamente 60% dos pacientes atendidos no PS do hospital chegam espontaneamente (por conta própria). A expectativa, com as medidas anunciadas, é que esta demanda caia em torno de 70%. O diretor acredita que a grande procura espontânea no HU não é apenas uma questão de cultura por parte da população. ''Esta procura é gerada também pelos municípios da região, que não conseguem dar resolutividade aos seus serviços de saúde''.
Uma das preocupações da superintendência é com o perfil do hospital. ''Por tratar-se de hospital-escola, precisamos ensinar todas as especialidades. Não podemos intensificar o atendimento em uma área e deixar de atender outras. Temos que harmonizar a assistência com pesquisa e ensino'', argumentou. Ele lembrou também que há situações em que alguns leitos deixam de ser usados por tratar-se de alas específicas - como a de tuberculose - em que não é possível ocupar o leito vizinho com qualquer tipo de paciente.
Entre os pacientes internados no corredor do PS ontem estavam Lucelina Francisca de Jesus Salles, de 39 anos, que começou a passar mal no final de semana, com cólica intestinal, e foi levada pelo marido ao hospital. Apesar do atendimento feito em local improvisado, ela não se queixou. ''Estou sendo medicada e bem atendida. Não tem problema ficar aqui'', afirmou.
A secretária municipal de Saúde, Marlene Zucoli, acha que os pacientes que deixarão de ser atendidos no HU não vão sobrecarregar a rede básica. ''Segundo relatório enviado para a Secretaria, o hospital recebe em média dois pacientes por hora por procura espontânea. A rede básica oferece 80 consultas por mês, o que dá uma média de 3,2 mil consultas por dia, portanto receber mais uns 50 pacientes por dia não será problema.'' Segundo a secretária a maior preocupação é que o hospital faça a avaliação de risco dos pacientes de forma ''séria e profissional''.


