O alto número de atendimentos no Pronto-Socorro (PS) do Hospital Universitário (HU) de Londrina já faz parte há muito tempo da rotina da instituição. Porém, um dado que chama a atenção é representado por vítimas de agressão, geralmente em estado grave. Para se ter uma ideia, o HU atende uma média de 21 casos de agressão mensalmente. De março de 2012 a fevereiro deste ano, foram realizados 268 atendimentos dessa natureza. Desses, 128 foram vítimas de briga corporal, 99 de disparo de arma de fogo e 42 por objeto cortante, entre outros.
Do total desses atendimentos, pouco mais da metade (148) dos pacientes precisou ser internado e ficou, em média, dez dias no hospital. "É uma preocupação em relação à ocupação do hospital se pensarmos que isso é uma consequência da violência que presenciamos constantemente", desabafa a superintendente do HU, Margarida Carvalho.
O chefe médico do PS, José Roberto de Almeida completa que esse tipo de ocorrência acaba comprometendo bastante o atendimento da população que não é vítima de violência. "Como geralmente são casos graves, os pacientes necessitam de uma cirurgia de urgência e, muitas vezes, temos que adiar aquelas que já estavam agendadas", revela.
Tão preocupante quanto o número de pacientes vítimas de agressão, é o perfil dos pacientes. O técnico de Enfermagem do PS, Roberto Gomes de Araújo, que atua na unidade há seis anos, ressalta que os casos envolvendo crianças sempre geram uma grande revolta. "No mês passado, atendi uma criança que tinha sido agredida fisicamente pelo padrasto. Uma situação assim me chama muito a atenção e acho que acaba revoltando todo mundo", salienta.

Clima
Diante dessa realidade e como forma de homenagem à funcionária vítima de bala perdida Suely Aparecida de Souza, o HU promove há sete anos, no mês de março, o Manifesto pela Paz. "É uma homenagem à nossa técnica de Enfermagem, que realizava um trabalho de muita dedicação e importância neste hospital", justifica a superintendente.
A ação realizada ontem pela manhã tem o objetivo de promover a paz e todos os anos participam familiares e amigos das vítimas. "Todo ano eu me programo para estar aqui, mas sinto que nunca estou preparada. As lembranças vêm à tona, a saudade aperta, mas a vontade de divulgar e semear a paz é mais forte", conta Maria do Socorro de Souza, mãe de Suely, morta em 2007 enquanto jantava com a família em uma pizzaria.
Também participaram do evento o pai da jovem Amanda Rossi, assassinada no mesmo ano, funcionários e crianças internadas no hospital, que assim como os alunos do Colégio Aplicação pintaram, desenharam e criaram frases sobre a paz, além de uma turma do Centro de Educação Infantil do HU, que encenou canções. E mesmo não entendendo muito a razão de estarem ali no saguão do hospital, essas crianças sabiam muito bem da importância do tema. "Paz é para a gente não brigar e saber se comportar", resumiu a pequena Tainara Lais Amaro, de 5 anos.
Os pais da aluna Mariê Pierobom dos Santos, 5, também fizeram questão de apreciar o evento. "A gente vê tanta coisa ruim aqui dentro, que uma ação como essa muda um pouco o clima do hospital. É uma forma de propagar a paz entre os pacientes e também, funcionários", comenta a mãe Glenda dos Santos.

mockup