HU aperfeiçoa técnica israelense de cesariana
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de novembro de 1997
Londrina 
A comunidade médica assegura que o parto normal ainda é o mais indicado para a maioria das mães. Mas há gestantes que precisam, por orientação médica, usar o método da cesariana. Para esses casos, a 4ª Jornada de Ginecologia do Hospital Evangélico revelou uma nova técnica de cesariana usada no Hospital Universitário de Londrina. É uma técnica desenvolvida no Hospital Misgav-Ladash, de Jerusalém (Israel) e adaptada pelos londrinenses. Através dela, o cirurgião não sutura a camada interna que reveste o abdômen, o peritônio, deixando que ele se feche naturalmente.
O método foi divulgado na Jornada pelo médico e professor da UEL, Ricardo Mendes Alves Pereira. Ele comenta que o procedimento já está sendo usado no HU de Londrina desde 1994 e calcula que mais de mil mulheres já foram submetidas a cesariana sem sutura do peritônio.
Esta técnica, revela o médico, tem algumas vantagens em relação ao método tradicional. Ela diminui em cerca de 20 minutos a duração da cirurgia e reduz a chance das mulheres sofrerem aderência - complicação que pode até levar a outra cirurgia. Pesquisas revelam que as mulheres submetidas à técnica têm menos dores pós-operatórias.
Ricardo Pereira conta que entrou em contato com esta técnica através de congressos e publicações. Ele diz que em Londrina, ela foi modificada visando o aspecto estético. Em Israel o corte é mais alto, anti-estético. O HU é pioneiro na utilização do método no Brasil.
O professor lembra que a nova técnica não tem como objetivo tornar ainda mais comum o uso da cesariana: Ela não veio para aumentar o índice de cesarianas, mas contribuir para o aperfeiçoamento quando ela é indicada.
(Adriana De Cunto)


