Menos de 24 horas depois de declarar que iria tentar adiar a desativação de leitos no Hospital Universitário (HU), o superintendente Francisco Eugênio Alves de Souza anunciou, no final da manhã de ontem, que seis leitos da enfermaria masculina do hospital estavam desativados. Na última terça-feira, Souza havia enviado correspondência às secretarias municipal e estadual de Saúde comunicando a desativação gradativa de 50 leitos por falta de pessoal.
A medida tomada ontem teve como alvo a maior unidade de internação do hospital, que possui 73 leitos. De acordo com o superintendente, foram desativados os leitos destinados à assistência de menor complexidade. Comunicado divulgado pela assessoria de imprensa do hospital informa que a desativação não é irreversível nem definitiva.
A convite dos vereadores que integram a Comissão de Seguridade Social da Câmara, Souza participou da sessão de ontem acompanhado da diretora executiva da Secretaria de Saúde de Londrina, Margaret Shimiti; da diretora da 17 Regional de Saúde, Wânia Gutierrez; da presidente do Conselho Estadual de Saúde, Joelma Carvalho; e da presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimento de Serviços de Saúde de Londrina (SinSaúde), Cida Ramalho. O superintendente do HU afirmou que a medida foi estritamente administrativa. ''Chegamos a um limite de responsabilidade'', argumentou.
Souza explicou que além dos seis leitos desativados ontem, já havia outros 11 do setor de tisiologia fora de uso para reformas. De acordo com o superintendente, existem atualmente 89 vagas em aberto de funcionários efetivos que pediram demissão, faleceram ou se aposentaram e não foram substituídos. ''Além disso, cerca de 90 funcionários da enfermagem encontram-se licenciados ou, por recomendação médica, estão trabalhando em outros setores. Isto porque todos encontram-se sobrecarregados.''
Na próxima segunda-feira será realizada uma reunião em Curitiba entre representantes das secretarias estaduais de Administração, Saúde e Ciência, Tecnologia e Ensino Superior; do Tribunal de Contas e dos hospitais universitários do Estado. O objetivo é encontrar alternativas de contratação de pessoal que não sejam baseadas em concurso público, o que está impedido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Para Wânia Gutierrez, uma solução, caso não seja possível a realização de processo seletivo, seria a contratação através de convênios. A diretora da 17 Regional informou que a falta dos seis leitos suspensos no HU será contornada com a suspensão de cirurgias eletivas.
Durante a sessão de ontem, os vereadores aprovaram o envio de ofício à coordenação da reunião de segunda-feira, ''solicitando medidas urgentes'' para que não ocorra a desativação de leitos. Segundo o requerimento, ''a possibilidade de desativação de leitos hospitalares públicos na região norte do Paraná gera uma grande preocupação''.

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