O Hospital Regional de Cascavel (HRC) tem 102 leitos ociosos, por falta de pessoal e de equipamentos. A crise ocorre justamente quando deveria ser apressada a transformação do HRC em Hospital Universitário (HU), para as aulas dos cursos da área médica da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste).
O HRC, mantido pelo Estado e pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é o único hospital público em todo o Oeste e Sudoeste do Paraná. Pacientes dos municípios da região procuram o hospital até mesmo para simples consultas. A finalidade do HRC é o pronto-socorro, mas diariamente são feitas pelo menos 250 consultas. Diretores e médicos procuram evitar críticas diretas às prefeituras, mas informalmente queixam-se de que elas deixam de ofertar as consultas nos postos de saúde, e provocam grande conturbação do HRC, ao ‘‘despacharem’’ pacientes.
A diretora geral do HRC, Lilimar Mori, diz que há poucos casos de urgência ou emergência nos atendimentos realizados. Em relação aos internamentos, Lilimar relata que eles chegam a mil por mês. Segundo ela, 168 leitos têm ocupação permanente. Outros doze estão desativados e noventa não podem ser ofertados, por falta de pessoal e mobiliário. O HRC tem 550 funcionários, dos quais 230 na enfermagem, divididos em quatro turmas.
Edson MazzettoExpectativaHospital Regional de Cascavel: escassez de pessoal e dificuldades para se tornar HUA carência é de duzentos funcionários no setor de enfermagem e cem na área administrativa. O Estado não manifesta disposição de realizar concursos para contratação de pessoal. A alternativa, segundo Lilimar Mori, seria criar fundação para administrar o HRC, substituindo a Secretaria Estadual de Saúde. Assim, poderia ocorrer transformação do HRC em HU. Essa última mudança, por enquanto, ficou apenas no papel: limita-se a convênio firmado entre a Secretaria e a Unioeste.
O processo de transformação em HU terá que passar ainda por outras secretarias estaduais, como Fazenda e Administração, e depois chegar à Assembléia Legislativa em forma de projeto de lei. Se houver mais demora, estará comprometido o curso de medicina da Unioeste, que está no seu terceiro ano, quando necessariamente deve dispor de um hospital para os acadêmicos. Lilimar Mori salienta que a própria transformação em HU exige investimentos, ‘‘para que haja estrutura adequada para as aulas’’. Na atual situação, o HRC tem dependência total do Estado. De seu custo mensal de R$ 800 mil (R$ 300 mil com salários), apenas R$ 200 mil vêm do SUS.

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