HPV: vírus causa desde verrugas até câncer
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quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
Um vírus responsável por provocar um dos principais tipos de câncer entre as mulheres. O papiloma vírus humano, conhecido como HPV, engloba mais de 200 tipos de virus, que são transmitidos via sexual e causam enfermidades que vão desde verrugas até o câncer. De acordo com o médico ginecologista, Marcelo Mendonça, de Londrina, o HPV prefere algumas áreas do corpo onde consegue se multiplicar com mais facilidade. ''São elas: mucosa oral e regiões genital e anal'', explicou.
Segundo o médico, o HPV é capaz de causar alterações celulares que podem levar ao câncer de colo de útero e de pênis. ''Após a relação sexual, a higiene do homem é mais fácil do que da mulher. Talvez esta seja uma das razões de registrarmos mais casos de câncer de colo uterino do que de pênis'', disse. O ginecologista explicou que em mais de 98% dos casos o vírus é transmitido via sexual. ''Dificilmente ele vai ser transmitido de outra forma porque precisa haver uma fissura para que a pessoa seja contaminada. Na relação ocorrem fissuras que facilitam a entrada do vírus'', destacou.
Preservativo
Mendonça informou que o uso da camisinha protege em 90% das vezes. ''Mas às vezes a pessoa tem uma verruga na base do pênis e o contato pele a pele facilita a contaminação. As lesões lembram uma couve-flor, são doloridas e mal cheirosas'', descreveu o médico. Ele lembrou que nem sempre a pessoa portadora do vírus tem uma verruga. ''Há lesões planas que talvez sejam as piores. Alguns sorotipos de vírus levam mais ao câncer de colo uterino - porque provocam alterações celulares - e outros tipos são responsáveis pelo surgimento das verrugas'', disse.
Quem é infectado com o vírus não estará transmitindo para outras pessoas se não houver nenhuma lesão visível. ''Ele pode estar debaixo da pele ou pode ter desparecido, mas também é possivel que o HPV fique ali a vida toda'', afirmou.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), estudos comprovam que entre 50% a 80% das mulheres sexualmente ativas serão infectadas por um ou mais tipos de HPV em algum momento de suas vidas. O ginecologista disse que muitas pessoas têm o vírus sem saber, já que ele não se manifesta em todas as pessoas, além disso, a manifestação varia de acordo com o organismo. ''Geralmente quando a pessoa se contamina ela pega um pacote de vírus com vários sorotipos diferentes juntos. Alguns vão se manifestar e outros não'', explicou.
Gravidez
Conforme dados do Inca, estima-se que cerca de 25% das mulheres estejam infectadas pelo vírus. As pesquisas mostram ainda que entre 3% a 10% das mulheres infectadas desenvolverão câncer do colo do útero. O médico ginecologista disse que a tendência, entre as gestantes, é de aumentar a proliferação do vírus por conta da baixa imunidade da mulher nesta fase. ''Se ela tiver e não souber pode aparecer na gravidez e pode ser difícil o tratamento'', afirmou.
Em situações normais, o médico disse que os tratamentos para HPV podem ser feitos de diversas formas, dependendo do caso. ''Em algumas pacientes fazemos cauterização, usamos medicamentos ou pode ser necessário fazer uma cirurgia'', elencou. Conforme ele, o tratamento existe e é precoce. ''Uma vez que a pessoa adquiriu o vírus tem uma lesão no colo uterino, é facil resolver se estiver em estado inicial. O problema é depois de alguns anos, quando já se transformou num câncer invasivo, leva a metástase e pode levar à morte'', destacou.
Vacina
O ginecologista disse que há no mercado dois tipos de vacina disponíveis, ambas direcionadas para mulheres. ''Uma protege contra o câncer de colo de útero e a outra abrange também as verrugas genitais, mas elas não estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Existem apenas em clínicas particulares'', disse.
A recomendação médica é que a imunização seja feita antes do início da vida sexual, por volta dos 13 anos até os 29 anos. ''Existem muitas pesquisas em torno do HPV e há estudos que avaliam a vacinação para os homens também'', afirmou.
Conforme ele, teoricamente a imunização dura a vida toda, mas não existem muitos estudos porque a vacina está no mercado há apenas dez anos. Segundo Mendonça, uma das formas de prevenir o câncer de colo de útero é fazendo os exames preventivos regularmente com um médico ginecologista. No caso de aparecimento de alguma lesão ou verruga em homens e mulheres, a orientação é procurar um médico.



