''Houve abuso'', afirma Galatti
Lucilia Okamura
Documentos obtidos pelo Ministério Público junto à Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) mostram que em 98 foram adquiridos 3.034 marmitex para os trabalhadores, ao preço de R$ 7.552,00. Somente nos primeiros quatro meses deste ano, o número de marmitex saltou para 10.547, totalizando gastos de R$ 26.367,00. Os fornecedores da AMA neste ano foram os restaurantes Pantanal e Bar e Restaurante do Grêmio, conforme notas fiscais anexas aos autos.
Houve um abuso, afirmou o promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galatti. Ele explicou que ouviu gerentes e chefes de todos os departamentos da autarquia e todos disseram que não aconteceram serviços extraordinários que justificassem esse grande volume de comida.
A exemplo das notas de recebimento dos cestos de lixo, as notas dos marmitex foram assinadas por Edson Alves da Cruz, funcionário da autarquia que era responsável pelo setor de compras. Ontem, no início da tarde, ele compareceu na promotoria para prestar depoimento, mas não quis dar declarações.
A todas as perguntas feitas por Galatti, Cruz disse que irá se pronunciar somente em juizo, segundo informou o seu advogado, Eduardo Duarte Ferreira. Cruz já havia comparecido na promotoria no dia 21, mas pediu que o depoimento fosse adiado porque queria verificar documentos originais relativos aos marmitex e cestos de lixo.
O responsável pelo bar do Grêmio é Humberto Macagnan. A mulher dele, Rosa Macagnan, confirmou que eles fornecem marmitex para vários locais, inclusive para a AMA. Mas ela não soube dizer se o volume entregue neste ano é acima do normal ou não. A Folha tentou localizar o proprietário do Restaurante Pantanal, mas o número não consta da lista telefônica.
Galatti e Cláudio Esteves, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), analisam ainda licitações vencidas por duas empresas (uma de Curitiba e outra de Araucária) para elaborar projetos ambientais. Em um dos casos, segundo os documentos, a data do empenho do pagamento (dia 23 de setembro de 98) é anterior à homologação da licitação, que ocorreu no dia 30 de setembro. A média do contrato com estas empresas é de R$ 143 mil.
Outra suspeita da promotoria é com relação à locação de uma retroescavadeira, cujo contrato com a AMA é de dezembro do ano passado. Segundo levantamentos feitos pela promotoria, o valor pago pelas horas trabalhadas é superior ao serviço realmente executado.





