Hotel pode virar shopping para camelôs
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quarta-feira, 20 de dezembro de 2000
Érika Pelegrino De Londrina 
O Hotel Berlim, um dos primeiros construídos em Londrina, pode ser transformado em um shopping popular. Esta é a solução que está sendo estudada pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) para o destino dos camelôs, problema que não foi solucionado durante toda a atual gestão. Sem local para se instalar, em novembro os camelôs ocuparam a Praça Rocha Pombo, tombada pelo patrimônio histórico. O Ministério Público já pediu a retirada dos ambulantes do local.
Segundo o presidente do Ippul, Paulo Bombassaro, a idéia de levar os camelôs cerca de 500 atuando no centro de Londrina para o Hotel Berlim foi dada por empresários e vem sendo cogitada há tempos. Ainda sem informações técnicas sobre o local, Bombassaro afirma que o espaço oferece condições arquitetônicas adequadas para esta finalidade.
Os quartos podem ser transformados em lojas, os pátios podem abrigar diversas barracas e ainda há o restaurante que pode servir de apoio para uma praça de alimentação, explica Bombassaro. Segundo ele, o prédio não necessita de reformas profundas para esta finalidade, apenas pintura e reparos.
Outra vantagem do Hotel Berlim é a localização estratégica (na Rua Benjamin Constant, centro da cidade), afirma. Até o final do mês, o Ippul pretende deixar pronto um estudo preliminar com informações sobre a área do prédio. Caberá à próxima administração aceitar ou não.
Wilson Sella, futuro presidente do Ippul, adianta que a questão será tratada com uma política de incentivo à formalidade para evitar conflitos com os comerciantes estabelecidos que pagam impostos. Os camelôs terão que se cadastrar e terão os mesmos encargos. Com isto, congelamos a possibilidade de ampliação do mercado informal nas calçadas, explica.
Para execução do projeto, o Hotel Berlim é uma possiblidade dentre muitas outras. O presidente da Associação dos Vendedores Ambulantes da Rocha Pombo, Manoel Barbosa, afirma que os camelôs aprovam a idéia desde que fiquem vinculados à prefeitura e não a um grupo de empresários, para garantir um custo baixo de aluguel.
Outra consideração feita por Barbosa é de que a prefeitura dê um prazo de carência antes que os camelôs comecem a pagar impostos. Queremos também que todos os camelôs, inclusive da Praça da Bandeira (praça Marechal Floriano Peixoto) sejam transferidos para o hotel, afirma Barbosa.
A associação também tem um projeto para solucionar o problema dos camelôs. Nossa idéia é uma espécie de mercado modelo que congregue tanto o comércio dos camelôs, quanto festas e feiras populares, apresentações de artistas populares, transformando-se num centro cultural de Londrina, comenta.
O prefeito eleito Nedson Micheleti (PT) já teve algumas conversas informais com o proprietário do hotel, o comendador Jacob Zwecker Júnior. Segundo Neusa de Melo, gerente-geral do Hotel Bandeirantes, em Maringá, onde o comendador se encontrava ontem à tarde, ainda não há nada definido sobre o assunto. O comendador estava em uma reunião.
Construído na década de 50, o Hotel Berlim ocupa um área de 6.400 metros quadrados e tem 110 quartos e apartamentos. Atualmente a média de ocupação é de 20 hóspedes por dia.


