Mais um pedaço da história de Londrina está indo para o chão com a demolição do Hotel Cravinho, um dos primeiros da cidade. Os motivos segundo o proprietário do imóvel, o professor aposentado Reinaldo Mathias Ferreira, estão na inviabilidade de uma reforma e na dificuldade para recuperar a imagem do hotel, marcada nos dois últimos anos como ponto de tráfico de drogas, prostituição e endereço certo de criminosos de passagem pela cidade.
O Hotel Cravinho ficava na Rua Minas Gerais, 88, entre as ruas Benjamin Constant e Sergipe. O local ainda não tem uma destinação e, segundo o proprietário, até que se defina o que fazer a área será alugada para um estacionamento. O prédio, como conta Reinaldo, foi construído em várias etapas, um dos fatores que complicam a reforma e até mesmo o desmanche do prédio.
A demolição atinge os fundos da construção, onde ficavam 40 quartos do hotel. Na parte da frente, que será preservada, há dois estabelecimentos comerciais no pavimento térreo e mais cinco quartos no andar superior, que serão transformados em salas comerciais.
O prédio do hotel pertence ao professor desde 1978, mas nunca foi administrado por ele. O imóvel foi comprado da família Morikawa, a quem pertenceu por 30 anos, com o hotel já em fase de decadência. Sua história, cujo início não se tem registro, pois os Morikawa não foram os primeiros proprietários, estava associada diretamente ao desenvolvimento comercial da cidade. O Cravinho serviu como ponto de hospedagem dos vendedores-viajantes que atendiam o comércio local.
Reinaldo conta que nos últimos 20 anos o hotel foi se tornando, discretamente, um ponto de prostituição. No período de 1995 a 1998, o hotel foi administrado por Rogério Luppi, que fez uma seleção na freguesia, devolvendo ao hotel a característica de pousada familiar. Mas por um período curto, pois a construção antiga com quartos pequenos e banheiros coletivos não eram atrativos. Mais uma vez o hotel mudou de dono que, como conta o professor, ‘‘queimou para sempre a imagem do estabelecimento’’.
Apesar de ter sido construído na época da colonização da cidade, não existe nenhum registro histórico do Hotel Cravinho, em Londrina, nem mesmo no Museu Histórico. A história se resume à memória da antiga proprietária, Rosa Morikawa.
A demolição teve início no dia 17 novembro e deve terminar até final de dezembro. Reinaldo Ferreira está documentando a demolição com fotos e filmagens e pretende doar o material para o Museu.

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