Hotel cinco estrelas é penhorado pela Justiça
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de novembro de 1997
Valmir Denardin 
Foz do Iguaçu
A Justiça do Trabalho de Foz do Iguaçu determinou a penhora do prédio do Hotel Internacional - um dos quatro hotéis classificados como cinco estrelas da cidade - para garantir o pagamento de dívidas trabalhistas, com empresas públicas e fornecedores. Segundo avaliações extra-oficiais, a dívida do hotel soma R$ 5 milhões. O prédio está avaliado em cerca de R$ 10 milhões.
Com a decisão judicial, um grupo de 53 funcionários do hotel, que estava em greve há quase 60 dias e desde 15 de outubro permanecia acampado no saguão de entrada do estabelecimento, encerrou a paralisação anteontem à noite. O Sindicato dos Empregados em Hotéis informou que os trabalhadores vão esperar em casa, sem trabalhar, o leilão ou a venda do prédio.
De acordo com o sindicato, os salários estão atrasados - em alguns casos há até 11 meses - e os funcionários não receberam benefícios trabalhistas como o pagamento de férias e vale-transporte. O hotel tem 94 empregados e funcionou precariamente.
Agora, o prédio deverá ser vendido ou ir a leilão, em data a ser marcada pela Justiça Trabalhista. Segundo a advogada do sindicato, Soraya Sottomaior Justus, o leilão deverá ocorrer em um prazo de seis meses. O hotel foi colocado à venda em julho, por cerca de R$ 12 milhões, mas não apareceu comprador. O setor hoteleiro de Foz do Iguaçu atravessa uma de suas piores crises, com ocupação média de 30% dos leitos, quando o mínimo necessário seria de 45%.
Marco da arquitetura de Foz - redondo e revestido com vidro fumê -, o Hotel Internacional foi construído há cerca de dez anos. O prédio possui 18 andares e 220 apartamentos. Pertence ao empresário paraguaio Humberto Bartini, que vive em Assunção. A Folha tentou localizar ontem o dono ou o gerente do hotel. Uma mensagem da Telepar afirmava que o telefone está desligado temporariamente.


