Da Sucursal
Atrair os turistas que querem fugir da folia está sendo a alternativa encontrada pelos hotéis de Curitiba para a falta de tradição do Carnaval da cidade. Este ano, a ocupação média dos hotéis da capital não deve passar de 50% durante o feriado. Com a falta de atrações típicas das festas de momo, a maioria dos turistas que vêm à cidade nessa época é composta por pessoas idosas, religiosos ou famílias que buscam sossego e aproveitam para conhecer a ‘‘capital ecológica’’.
‘‘O pessoal vem pra cá atrás de descanso’’, confirma Solange Vilas Boas, gerente do Hotel Duomo, que este ano recebe pela segunda vez no Carnaval, um grupo de 30 pessoas de terceira idade vindos de Bauru, interior paulista. ‘‘São senhoras viúvas que geralmente almoçam em Santa Felicidade e descem para Antonina de trem’’, conta ela.
Para driblar a falta de prestígio do Carnaval curitibano, alguns hotéis apelaram para as promoções. O Hotel Mabu Park conseguiu elevar sua taxa de ocupação este ano, oferecendo pacotes com preços especiais. Com diária de R$ 258,00 para apartamento de casal, que inclui café da manhã e jantar de sábado a terça-feira, o hotel conseguiu lotar todos os seus 82 apartamentos nesse Carnaval. ‘‘Com a divulgação antecipada, atraímos turistas do interior do Paraná e São Paulo’’, diz o diretor do Mabu, José Maria Abujamra.
O Hotel Bourbon, que tem 167 apartamentos e cobra uma diária promocional básica de R$ 106,00 prevê uma ocupação de 45% a 50% este ano. O gerente, Roffé Áureo, também acha que faltam atrativos ao Carnaval curitibano para aumentar o movimento turístico nessa época. ‘‘O próprio curitibano acaba aconselhando os visitantes a irem para Antonina’’, afirma ele.
O secretário de Esportes e Lazer de Curitiba, Adalberto Medeiros, reconhece que falta identidade ao Carnaval local para que a cidade consiga atrair maior número de turistas nessa época. ‘‘É claro que não dá pra competir com Rio de Janeiro e São Paulo’’, diz ele.
Para Medeiros, mesmo com a falta de tradição, a localização central da maioria dos hotéis faz com que os turistas acabem assistindo ao desfile das escolas de samba, até por falta de opção. ‘‘Durante o dia eles conhecem os pontos turísticos e à noite vão ao desfile na Marechal’’, acredita o secretário Medeiros.

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