Hotéis contabilizam 'prejuízo' do vestibular
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terça-feira, 30 de abril de 2002
Chiara Papali<BR>Reportagem Local 
Ontem, durante o segundo dia de vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o índice de desistência se manteve em 22,48% do total de 19.093 inscritos, com apenas mais 10 faltosos, o que representa 4.292 candidatos. Para os vestibulandos, a vantagem é a menor concorrência. Quem sabe este ano, com tantas desistências, eu não tenho mais chance?, indagou o vestibulando de Educação Física Reginaldo Osório Moreira, de 31 anos. Já os comerciantes e donos de hotéis reclamam do movimento considerado fraco e estimam prejuízos.
De acordo com o Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares, apenas 40% de 6,8 mil leitos da cidade estão ocupados, enquanto em vestibulares anteriores os hotéis ficavam lotados. Segundo o presidente do Sindicato, Alzir Bocchi, o faturamento, normalmente estimado em R$ 8,5 milhões, considerando hotéis e movimentação no comércio em geral, este ano não deve ultrapassar R$ 1,5 milhão. Os candidatos de fora, que gastam dinheiro aqui, não vieram porque já passaram em outras faculdades. A greve da UEL arrebentou com o comércio londrinense, disse.
Bocchi também estima desemprego de 15% a 20% no setor. A Exposição (Agropecuária) e outros eventos foram excelentes, mas com o fracasso do vestibular e como não estão previstos outros eventos na cidade, os hotéis vão ter que rever e enxugar a folha de pagamento, avaliou.
No campus da UEL, ambulantes também reclamaram do movimento fraco. Para a comerciante Ana Maria Marquezini Alvarenga, que está vendendo balas, refrigerantes e salgados, as vendas estão pior do que o previsto. Está bem mais fraco que nos vestibulares anteriores, disse. A artesã Maura Clarete da Silva, que levou velas artesanais para a UEL, estava um pouco mais animada. O pessoal chega cedo para as provas e acaba comprando um presente, disse. O pipoqueiro Antônio Mosqueta reclamou do clima: Com muito calor o pessoal não compra pipoca, disse.
Mesmo no shopping Catuaí, onde os vestibulandos costumam representar um acréscimo de 20% a 30% nas vendas, o movimento é atípico. De acordo com a diretora de marketing do shopping, Maria Aparecida de Oliveira, o acréscimo de 7% a 8% já registrado nas vendas é considerado tímido.


