Hospital zera fila de espera para transplantes de córneas
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quarta-feira, 04 de janeiro de 2017
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Em Londrina, uma cirurgia realizada no dia 17 de dezembro de 2016 mudou a vida da jovem Camila Tatiane Justino, de 21 anos. Aos 14 anos, ela foi diagnosticada com ceratocone, doença que faz com que a córnea adquira formato cônico e irregular, distorcendo a visão. Há poucos meses, a doença se agravou e fez com que Camila perdesse toda a visão. "Era angustiante", resume. Ela conta que permaneceu na fila para receber o transplante de córneas por dois meses, quando recebeu a notícia de que havia um doador. Um dia após ser submetida à cirurgia, já percebeu a mudança. "Hoje minha visão está 70% melhor do que antes", relata Camila, que é instrutora de treinamento de uma empresa de telemarketing.
Camila faz parte da lista das pessoas beneficiadas por transplantes de córnea em 2016. O Paraná realizou 1.445 transplantes de órgãos e tecidos entre janeiro e outubro de 2016. Desse total 168 foram realizados na região de Londrina, dos quais 139 foram de transplante de córneas. O Hoftalon foi o responsável por 118 cirurgias referentes a córneas realizados na cidade (84,89%), incluindo o da Camila. Entre outubro e dezembro o hospital, que é filantrópico, realizou outras 39 intervenções e isso fez com que em dezembro a instituição conseguisse zerar a fila para transplantes.
Somente em dezembro foram realizados 28 procedimentos cirúrgicos no hospital, o que é incomum para esta época do ano, já que muitas pessoas entram de férias. O superintendente do Hoftalon, Adriano Antunes, relata que a equipe de
aproveitou o grande volume de doadores para realizar as cirurgias. "Nem sempre os condicionantes convergem para isso. A gente redirecionou as férias do corpo de enfermagem e da área técnica e médica para que isso fosse possível. Depois que a Central de Transplantes entra em contato conosco, temos que dar a resposta em uma hora, caso contrário essa doação é encaminhada para outras regiões. Em meia hora já tínhamos que ter conversado com o possível receptor e já tínhamos analisado se a pessoa estava apta a receber a doação e logo em seguida já tínhamos convocado para fazer o procedimento", destaca Antunes.
Segundo o superintendente, é uma satisfação ajudar esses pacientes. "O paciente sofre uma angústia desde que recebe diagnóstico que precisa de transplante. A gente busca realizar o processo interno no menor tempo possível para agilizar tudo", ressalta, informando que em 2016 chegou a ter 35 pessoas na fila de espera.
Cadastrado no Sistema Nacional de Transplantes e na Rede de Transplantes do Estado, o Hoftalon é o maior prestador de atendimentos SUS de Londrina e região. No ranking como Centro Transplantador do Paraná, ocupa a segunda colocação, ficando apenas atrás de Curitiba. "Os pacientes vão até o ambulatório do Hoftalon, passam por avaliação médica e, quando verificada a necessidade, são inseridos já naquele mesmo dia na fila para o transplante. Essa fila é única, seja para os atendimentos provenientes do SUS como de convênios ou pacientes particulares", explica a gerente de Enfermagem do hospital, Viviane Serato.
Além do Hoftalon, outros hospitais que realizaram transplantes em Londrina em 2016 foram o Evangélico (5 cirurgias) e o Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná (9 cirurgias). A enfermeira responsável pela comissão intra-hospitalar de doação de órgãos e tecidos para transplantes do Hospital Evangélico (Cihdott), Elizabeth Capelo Frois, conta a instituição realizou 23 transplantes de doadores falecidos e 9 intervivos (de rim) em 2016. Desse total foram 5 transplantes de córnea. "Essas cirurgias representam a transformação de vidas. Quando falamos de transplantes para as pessoas que perderam seus entes queridos, a gente mostra que a vida não se findou. Ela continua quando pacientes recebem as doações de órgãos e tecidos. Isso exige desprendimento e amor por parte dos familiares. Em um momento de dor aceitam realizar a doação. Nosso papel é mostrar que a outra ponta se transforma completamente ao receber o transplante", relata.
Sobre o número de pacientes atendidos pelo HU, a Secretaria Estadual de Saúde destacou que tudo é uma questão de prioridade. De acordo com a assessoria da Sesa, na região de Londrina não há fila significativa e quando se tem uma instituição que absorve essa demanda e que é um hospital de referência, o HU não precisa se propor a atuar na mesma área. A assessoria ressaltou que o Paraná saltou de 10º lugar na realização de transplantes no Brasil para o segundo lugar sem aumentar sem nenhum centro transplantador. Isso se deve, segundo a assessoria, à boa gestão, às campanhas para aumentar potenciais doadores e à qualificação dos profissionais que o governo tem realizado.


