O Hospital Universitário viveu novamente dias de caos com pacientes sendo atendidos até no chão do corredor do pronto-socorro (PS). Ontem, no início da tarde, 30 pacientes estavam internados em macas nos corredores e nos sete boxes de consultas. O atendimento continuava restrito aos casos de emergência e a perspectiva era de que só voltasse ao normal no final da tarde.
Segundo o médico plantonista do PS, Tercílio Turini, enquanto os boxes de consultas não começassem a ser liberados o PS não voltaria a atender os casos não emergenciais. Até o início da tarde, pacientes com pneumonia, problemas cardíacos, suspeita de tuberculose estavam internados nos quatro boxes de clínica médica e nos três cirúrgicos.
O problema crônico de superlotação atingiu o ápice na sexta-feira, quando 49 pessoas estavam internadas no PS e muitas eram atendidas em colchonetes colocados no chão, sofás e cadeiras. A partir das 12 horas, situação ficou insustentável e todos os casos não emergenciais passaram a ser encaminhados para os hospitais da Zona Sul e da Zona Norte e para o posto de saúde José Belinati.
A crise na saúde pública de Londrina é um problema recorrente e que vem se agravando há anos. A superlotação nos hospitais com a falta de leitos agrava a situação e acaba ‘‘estourando’’ no PS, segundo Turini. ‘‘Nem me lembro quanto tempo faz que atendemos com 15 a 25 macas nos corredores. Isto já é comum há muito tempo’’, diz.
O médico plantonista alerta para a gravidade da situação e as suas implicações. ‘‘O caos está estabelecido. Os profissionais trabalham em condições precárias o que acaba comprometendo a qualidade do atendimento’’, afirma. Segundo Turini uma paciente já estava internada em uma maca no corredor há quatro dias.
Sem um aumento significativo no número de leitos em Londrina ao longo dos anos, Turini avalia que na prática registra-se nos últimos 15 anos uma diminuição na quantidade de leitos destinados para o Sistema Único de Saúde (SUS). Desde 1996, segundo Turini, o hospital vem tentando conseguir verba junto ao Estado para a ampliação do número de leitos.
De acordo com o projeto, o número de leitos passará de 290 para 450. Para esta reforma, a princípio, segundo Turini, seriam necessários R$ 10 milhões. ‘‘Esta verba passou para R$ 1 milhão. Quantia que só dá para fazer algumas reformas’’, afirma. Na opinão de Turini diante desta situação a tendência é a crise de superlotação agravar-se ainda mais.

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