Londrina
A Santa Casa de Londrina aguarda a liberação de verbas através do Estado para construir 10 novos leitos de Centro de Tratamento Intensivo (CTI). Com o projeto aprovado, a expectativa da diretoria do hospital era que a verba de R$ 350 mil fosse repassada em abril. A estimativa é que, com os recursos em mãos, os 10 leitos possam ser instalados em, no máximo, 120 dias. Na opinião da direção do hospital, só o aumento de leitos de CTIs pode resolver a situação de superlotação dessas unidades vivida nos últimos meses pelos hospitais terciários locais (que atendem casos de alta complexidade) - Santa Casa, Evangélico e Universitário.
A verba esperada pela Santa Casa, segundo a diretora geral, irmã Rosa Maria Ruthes, é do ReforSUS, um programa financiado pelo Ministério da Saúde através do Bird. Como o próprio nome sugere, o programa é um reforço à estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS), através da recuperação de equipamentos sucateados e novas instalações. A Santa Casa, segundo a irmã, só foi contemplada na área física. E para ativar os 10 leitos seriam necessários, pelos cálculos do hospital, outros cerca de R$ 600 mil para a compra de equipamentos. Pessoal, de acordo com a irmã, o hospital já dispõe, tanto médicos como enfermeiros.
A irmã Rosa Maria argumenta que a solução para o problema de leitos de CTIs está na boa estruturação dos três hospitais terciários da Cidade. ‘‘Não adianta instalar leitos de CTI em cidades menores porque nesses municípios faltam especialistas preparados para atender pacientes de UTI’’, diz. O maior atendimento em CTI é nas especialidades de neurologia, cardiologia e traumas.
Enquanto a verba para a ampliação do número de leitos não é liberada, a Santa Casa passou dias sufocantes nessa semana. Do plantão duplo de segunda e terça-feira, 11 pessoas em estado grave precisaram ser entubadas em espaços alternativos e outros cinco tiveram o atendimento improvisado. Os 20 leitos de CTI estavam lotados. Ontem no início da tarde, novo plantão do Pronto Socorro do hospital, um paciente estava entubado na sala de emergência e 42 internados em salas improvisadas, macas pelos corredores, berços infantis e cadeiras. O medo da direção era de a situação fugir do controle durante à noite. Com os outros hospitais trabalhando no limite, as transferências, segundo a irmã Rosa Maria, ficam muito difíceis.
Na tentativa de amenizar a situação, ontem a direção da Santa Casa recorreu ao Ministério Público. O promotor de Direitos e Garantias Constitucionais, Paulo Tavares, afirma que, mesmo sabendo da situação ‘‘crítica’’ dos hospitais, precisa ter dados concretos no papel e propostas para começar a trabalhar. ‘‘Está-se falando muito mas não há nada de concreto registrado para que o Ministério possa provocar o Conselho Municipal de Saúde e a Autarquia’’, diz.
O pedido inicial dos hospitais ao Conselho de Saúde foi recusado na última reunião mensal, realizada na semana passada. Os hospitais pediram a utilização do fundo do Conselho para a compra de respiradores para a improvisação de CTIs. O promotor Paulo Tavares, que esteve na reunião, afirma ter insistido na liberação do dinheiro devido à situação de emergência. Informações extra-oficiais dão conta de que o Conselho tem, atualmente, uma reserva de R$ 3,2 milhões. Mensalmente são repassados ao Conselho recursos de R$ 3,8 milhões para cuidar de toda a rede de saúde do Município. Representantes do Conselho não foram encontrados ontem à tarde pela Folha.
‘‘O argumento foi de que a compra de equipamentos poderia viciar outros hospitais e acomodar ainda mais municípios de outras regiões’’, diz Tavares. O Conselho alega que o problema de Londrina é agravado em até 25% por pacientes encaminhados de municípios de outras regionais.
Em entrevista concedida anteontem à Folha, o presidente do Conselho Municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian, voltou a dizer que quanto mais leitos tiver em Londrina, maior será a demanda de fora da região. Hoje são 86 leitos de CTIs para o atendimeto de 19 municípios, um dos pólos da saúde do Estado que conta com maior número de leitos proporcionalmente. ‘‘Não podemos resolver o problema de Londrina, da região e de todo o Estado’’, disse.
Bedrossian afirmou ainda que o Conselho está pedindo um empréstimo de aparelhos de CTI ao governo do Estado. Segundo ele, se houver respiradores e outros equipamentos básicos disponíveis em outros hospitais, o Estado poderia emprestá-los para amenizar a situação de emergência dos hospitais de Londrina. Alguns hospitais do Estado desativaram suas CTIs por falta de corpo clínico e de enfermagem especializado no atendimento.

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