O Hospital Cemil, de Umuarama, vai parar de atender os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) a partir do dia 1º de fevereiro. A direção do hospital pediu o descredenciamento justificando que o os valores pagos pelo SUS são muito baixos e não cobrem as despesas. Além disso, os pagamentos estão sendo feitos com dois meses de atraso. O administrador do hospital, João Carlos Kodato, informou que o Cemil vai enxugar sua estrutura e tentar se manter apenas com antedimento particular e convênios privados.
O hospital tem 118 leitos e atende entre 450 a 500 pacientes por mês. Os 57 leitos destinados ao SUS serão desativados e 35 empregados demitidos. O SUS responde por 50% do faturamento mensal do Cemil, mas os donos (15 médicos da cidade) acreditam que podem lucrar mais sem o convênio, criando uma estrutura menor e de melhor qualidade para a clientela privada. Umuarama não tem hospital público e os pacientes do SUS são atendidos pelos cinco hospitais particulares da cidade em esquemas de plantão.
Kodato informou que o SUS paga apenas R$ 2,28 por consulta e R$ 4,50 pela diária de internamento. O que mais pesa, segundo ele, são os plantões quando o volume de atedimentos ao SUS aumenta. Quando está de plantão, o hospital recebe todos os pacientes locais e da região, cujos hospitais não têm estrutura para atender casos mais graves. Segundo Kodato, só manterá o convênio com o SUS se a saúde pública passar a custear as despesas dos plantões.
Ex-presidente da Associação dos Hospitais de Umuarama e atual presidente da Associação Médica de Umuarama, João Jorge Hellú, disse ontem que o descredenciamento do Cemil vai sobrecarregar os outros hospitais e diminuir a qualidade e oferta do atendimento às pessoas que dependem da saúde pública.
Ele disse que várias reuniões já foram feitas e a Secretaria Municipal de Saúde criou o Pronto-Atendimento no Posto de Saúde central para tentar ôdesafogar# os hospitais, mas a medida não resolveu o problema. ‘‘A maioria dos casos atendidos no PA acaba encaminhada para o hospital de plantão porque precisa realmente de atendimento ou internação hospitalares’’, explicou.
Os hospitais reivindicam que a Secretaria de Saúde assuma o pagamento dos médicos plantonistas, funcionários extras e o material utilizado durante o plantão. A Prefeitura de Umuarama está em férias coletivas e o prefeito reeleito Fernando Scanavaca (PPB) ainda não nomeou o novo secretariado. O ex-secretário da Sa© úde, Luiz Renato Azevedo, não foi encontrado para falar sobre o assunto.

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