As preferências de crianças e pré-adolescentes quando o assunto é brinquedo mudam na mesma velocidade das evoluções tecnológicas e comportamentais. Em apenas 10 anos, a equipe do Hospital de Brinquedos de Londrina viu os videogames passarem de 50% para cerca de 90% dos itens levados para reparos.
Segundo a proprietária da loja, Daiane Petrelli, 29 anos, a garotada hoje gosta de brinquedos interativos - e a indústria despeja um monte deles no mercado todos os anos. ''Além dos videogames ultramodernos, são carrinhos que tocam MP3, bonecas que conversam com as crianças. Os pais trazem para consertar porque são brinquedos caros, não dá para comprar outro cada vez que quebra'', comenta.
Mesmo sendo a única loja especializada em conserto de brinquedos na cidade, o hospital ganhou vários concorrentes por conta do domínio tecnológico. ''Qualquer eletrônica pode se oferecer para consertar videogames'', pondera Daiane, sem reclamar do movimento: de setembro a fevereiro, época que coincide com o Dia das Crianças, o Natal e as férias escolares, o hospital fica ''superlotado''.
Com 25 anos de existência, a loja já está na segunda geração de administradores e chega até a terceira quando se fala em clientela. ''Os pais que traziam carrinhos na infância hoje vêm com os filhos carregando videogames'', conta a empresária. A evolução dos brinquedos também provocou mudanças na dinâmica de trabalho da loja.
''Não tem mais aquele trabalho de restauração, que os brinquedos muito antigos exigiam. É mais troca, reposição de peças'', observa. Bonecas clássicas, como ''Meu Bebê'', geralmente são levadas para limpeza e troca de membros perdidos ou ''fraturados''. Bichinhos de pelúcia chegam pedindo um banho.
O maior desafio dessa nova geração de ''médicos'' é acompanhar as novidades do mercado, que chegam cada vez mais rápido. ''As fábricas mandam prospectos, mas o pessoal tem que se atualizar principalmente pela internet. A criançada já chega com informação e a gente tem que correr atrás.''

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