A direção do Hospital Regional de Cascavel (HRC), do governo do Estado, anunciou ontem que o estabelecimento vive ‘‘situação confortável’’ em termos financeiros, já tem quadro de servidores completo e deve pôr em funcionamento novas alas, em breve. O anúncio foi feito ontem, quando o hospital apresentou seus novos equipamentos. A crise vivida no início do ano foi superada. Hoje o hospital pode ser considerado uma exceção entre os estabelecimentos de saúde mantidos com ajuda do Estado.
Os aparelhos agora disponíveis são duas incubadoras móveis (que permitem o transporte de recém-nascidos), dois berços aquecidos, seis oxímetros (para monitoração de oxigênio em UTI e centro cirúrgico), seis monitores cardíacos, dois carrinhos para anestesia, seis desfibriladores (para regularização de batimentos cardíacos) e dois respiradores para pacientes entubados.
O hospital investiu cerca de R$ 150 mil - recursos próprios e da Secretaria Estadual de Saúde - na aquisição dos equipamentos. ‘‘Podemos dizer que hoje nos igualamos a qualquer hospital de porte’’, disse o diretor-clínico, Cláudio Bibiano de Oliveira.
O diretor-geral, Marcos Horikawa, anunciou a inauguração no início de dezembro da nova Pediatria, com UTIs Pré-Natal e Pediátrica e sistema de atendimento que permite às mães melhor acompanhamento das crianças durante o internamento, além de acompanhamento psicológico e de fonoaudiologia. Uma nova ala, construída recentemente, com 90 leitos, só depende de licitação para receber mobília e equipamentos. Segundo Horikawa, a licitação para compra já está sendo providenciada pela Secretaria da Saúde.
Há dois meses, quando foram contratados novos funcionários, através de concurso, havia muitas reclamações sobre o atendimento. ‘‘O pessoal ainda não estava devidamente entrosado no trabalho, situação hoje superada’’, explica o diretor-clínico.
O HRC tem 160 leitos em funcionamento e 700 funcionários, dos quais 400 no setor de enfermagem e 70 médicos plantonistas. Os salários são pagos diretamente pelo Estado. Os custos operacionais mensais (R$ 250 mil) dependem de arrecadação do próprio hospital. ‘‘Sempre que necessário, recebemos o devido socorro do Estado’’, diz o diretor-clínico. Ele afirmou que o hospital ‘‘não deve um centavo’’.
Há poucos meses, o déficit mensal chegava a R$ 50 mil e as dívidas estavam em R$ 500 mil. O hospital, com mais de 10 mil metros quadrados de construção, funcionava desde 1989 (quando foi inaugurado). As responsabilidades eram divididas entre Estado e Conselho Comunitário, formado por representantes de entidades comunitárias, sindicatos e associações de classe. As relações entre conselheiros e direção - indicada pela secretaria de Saúde - sempre foram difíceis, com permanente troca de acusações.
No início do ano, os conselheiros decidiram por conta própria dissolver o conselho, que era presidido pelo prefeito de Cascavel, Fidelcino Tolentino (PMDB). Eles alegaram que foram ‘‘marginalizados’’ nas decisões. A secretaria assumiu toda a responsabilidade e muitos problemas e deficiências começaram a ser superados.

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