Hospital São Judas pode fechar
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sexta-feira, 02 de julho de 2004
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
Rolândia O Hospital São Judas de Rolândia (25 km a oeste de Londrina) respira por aparelhos. O déficit de quase R$ 15 mil mensais e uma dívida com o INSS que ultrapassa os R$ 500 mil são adversidades mais do que suficientes para deixar o único hospital da cidade com setor de pediatria prestes a fechar as portas. Se a previsão se concretizar, além de ficar sem pediatria, o atendimento do Sistema Único de Saude (SUS) ficará comprometido. Outra instituição da da cidade, o Hospital São Rafael, não tem infra-estrutura para suportar a demanda local.
Para salvar o São Judas, e evitar um colapso na saúde pública da cidade, a única esperança é uma parceria com um grande hospital filantrópico da região, cujo nome vem sendo mantido em sigilo. O secretário municipal de Saúde, Fernando Aguilera, esteve nesta semana em audiência com o secretário de Estado de Saúde, Claudio Xavier, tentando viabilizar uma doação até o final do ano de materiais clínico-hospitalares. ''Seria uma espécie de condição que o hospital fez para assumir o São Judas. Qualquer pessoa que pegar o hospital nas mesmas condições vai ter prejuízo também. Com este fôlego, temos uma esperança de salvá-lo'', ponderou o ortopedista João Jorge Nassif, diretor do São Judas Tadeus, com mais de 40 anos de serviços prestados à comunidade.
Com o convênio, o São Judas repassaria o prédio e todos os equipamentos para o novo administrador. A intenção é transformá-lo em pólo regional e desafogar o volume de atendimentos em hospitais de Londrina. ''Nosso primeiro desejo é acabar com esta dor de cabeça, não consigo arcar mais um mês com folha de pagamento, impostos e materiais. Se conseguirmos acertar a parceria, podemos sim transformar o hospital em um grande centro de atendimento.''
Em caso de fracasso das negociações, torna-se inevitável o encerramento das atividades. A crise financeira se arrasta há três anos, sem dar qualquer sinal de recuperação a curto ou longo prazo. O São Judas, principal centro de atendimento dos pequenos municípios vizinhos de Rolândia, chegou a registrar 150 internações por mês. Hoje, sem a infra-estrutura vigente nos últimos anos, o número de atendimentos caiu para menos de 80 por mês. ''Deste mês não passa, se não tiver uma resposta definitiva até a próxima semana, vamos parar com tudo e fechar as portas'', anunciou Nassif.
Desde quarta-feira, somente o setor de pediatria funciona. Sem materiais disponíveis, outros serviços diários, como o pronto-socorro e a enfermaria, estão inativos. ''Estamos pensando na vida e não podemos deixar o problema se agravar. Enfrentamos a falta de materiais, não temos mantido a higiene que é necessária dentros dos padrões de um hospital, então, não podemos colocar em risco a vida de nenhum paciente.''
Administrado por um grupo de 13 associados, o São Judas possui atualmente 50 leitos. Já o São Rafael, que passa por fase distinta, possui aproximadamente o mesmo número de leitos, mas está inaugurando uma nova ala com mais 16 quartos.


