O Instituto de Câncer de Londrina (ICL) divulgou ontem documento que impede a entrada de voluntários da Organização Não-Governamental (ONG) Viver nas dependências da instituição. A medida foi tomada, de acordo com a direção do hospital, devido ao desgaste no relacionamento entre médicos e funcionários com integrantes da ONG.
Segundo o diretor-presidente do ICL, Nuno Ballalai, os voluntários estariam interferindo nos procedimentos médicos e no trabalho de enfermeiros e assistentes sociais. ''A falta de horário para visitas e a interferência na alimentação dos pacientes atrapalhava a conduta de médicos e enfermeiras'', destacou.
Para a presidente da ONG Viver, Karla Goulart Victorelli, a medida é uma retaliação aos voluntários, que estariam apontando problemas no trabalho da instituição. Segundo ela, faltam leitos para crianças e materiais como toalhas, cobertores e lençóis. ''Fazemos a doação, mas não sabemos onde o material vai parar'', declarou. Ballalai afirmou que todas as doações são aproveitadas, mas ''não necessariamente nos setores que os voluntários querem''.
O hospital elaborou uma cartilha de orientação e ofereceu treinamento aos voluntários em setembro do ano passado. Entre outras coisas, o documento normatiza os horários de visitas aos pacientes. O diretor-presidente declarou que a parceria pode ser retomada desde que os voluntários respeitem a cartilha. ''A porta não está fechada, mas eles têm de seguir as normas do hospital'', salientou.
Para o diretor-clínico Antonio Amarante Neto, a interferência prejudicava o trabalho dos profissionais do hospital. ''Opinar sobre o fluxo de pacientes e o fornecimento de remédios, por exemplo, não é competência da ONG e fere a autonomia da instituição'', disse.

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