O Hospital Geral de Barbosa Ferraz (74 km a leste de Campo Mourão) ressarciu em moedas os R$ 2 mil que havia cobrado irregularmente de pacientes internados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ao todo, foram cerca de 40 quilos de moedas de R$ 0,01 a R$ 1,00. ''Moeda também é dinheiro'', disse ontem o diretor administrativo do hospital, Osmar Lima Pedrinho.
Segundo Pedrinho, o pagamento em moedas foi uma forma de protestar. ''A família sabia que o internamento era particular'', afirmou. O agricultor Paulo Gilberto Sotocorno e outros sete familiares ficaram três dias internados no Hospital Geral, com problemas de intoxicação alimentar. O caso ocorreu no início do ano, mas só agora houve o ressarcimento.
Pedrinho alegou que a conta do hospital ficou em R$ 3,8 mil e, devido à ''insistência'' da família, ele cobrou R$ 2 mil do agricultor e repassou os outros R$ 1,8 mil para o SUS através de seis Autorizações de Internações Hospitalares (AIHs). ''Eu errei. Não poderia ter feito isso'', admitiu Pedrinho. ''Mas só fiz para ajudar a família que é cliente do hospital há 25 anos.''
O agricultor Antônio Sotocorno, irmão de Paulo Gilberto, disse que a conta ficou em R$ 2,3 mil e que a família chegou a pedir ao diretor do hospital que só cobrasse a metade e recebesse o restante do SUS. ''Ele falou que isso não poderia ser feito porque já tínhamos sido internados como particulares'', explicou Antônio. ''O que ele fez foi abaixar a conta para R$ 2 mil.''
A família Sotocorno já tinha o caso como finalizado quando recebeu uma carta do Ministério da Saúde, informando que o internamento havia sido custeado pelo SUS. ''A gente se revoltou porque o hospital garantiu que não tinha como cobrar do SUS'', ressaltou Antônio. A família, então, resolveu denunciar a dupla cobrança.
Paulo Gilberto Sotocorno assinou o recibo do ressarcimento, sem contar as moedas. A contagem só foi feita numa agência bancária, que levou dois dias para concluí-la. Segundo o irmão de Gilberto, o recebido ficou pouco acima de R$ 1,4 mil. Apesar da promessa do diretor de não perseguir a família, os Sotocorno não querem mais saber do hospital. ''Se precisarmos, vamos para Fênix'', disse, referindo-se a uma cidade a 12 quilômetros de Barbosa Ferraz.

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