Hospital Regional deixa de atender consultas
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terça-feira, 12 de agosto de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Edson MazzettoAvisoCartaz na portaria do HRC comunica o encerramento de consultasPacientes do Oeste do Paraná que procuram o Hospital Regional de Cascavel (HRC) para consultas médicas estão se deparando com um cartaz na portaria: não é mais oferecido este tipo de atendimento. Corpo clínico e direção do HRC, mantido pelo Estado, decidiram que o estabelecimento deve se limitar a cumprir apenas a sua função, de pronto-socorro. As consultas a partir de agora são feitas apenas nos postos de saúde dos municípios da região, que estavam enviando pacientes indevidamente para o HRC.
O diretor-geral do HRC, Marcos Horikawa, disse ontem que a decisão de acabar com as consultas foi tomada a partir de posição assumida pelos médicos do hospital, que enfrentavam sérias dificuldades para atender às situações de emergência nos plantões. A média diária era de 330 consultas e cada um dos seis plantonistas era obrigado a fazer mais de cinquenta consultas diariamente, sem receber pagamento por este tipo de serviço.
O hospital também não recebia nada, pois não é credenciado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o atendimento ambulatorial. A insuficiência de pessoal de apoio, principalmente de enfermeiras e auxiliares, foi outro fator que influiu no encerramento das consultas. Concurso realizado recentemente não atraiu candidatos por causa dos baixos salários. As dificuldades no atendimento causavam conflitos, principalmente entre profissionais e pacientes.
Horikawa lembra que em algumas ocasiões ocorreram até mesmo agressões físicas a funcionários e vidros do hospital foram quebrados por pacientes desesperados com a demora no atendimento. Municípios da região, segundo o diretor, lotavam carros com pessoas que eram deixadas na portaria do HRC para atendimento ambulatorial. A partir de agora, os postos de saúde devem fazer a triagem e encaminhar apenas os casos de urgência que requerem o serviço clínico ou internamento.
Sem leitosO médico plantonista do Hospital Regional de Cascavel (HRC), Adarcino Amorim, ex-diretor do estabelecimento, disse ontem à Folha que o número de leitos do hospital está sendo reduzido. Isso resulta em prejuízo direto à população carente. Ele diz que a redução é progressiva.
O HRC já teve 164 leitos à disposição. Já existe uma ala pronta para 90 leitos, aguardando apenas as camas. Também há carência de materiais e alguns medicamentos básicos, segundo ele.
A culpa não é da direção. Faltam recursos financeiros e pessoal, o que é responsabilidade do Estado. O diretor-geral do hospital admitiu que o número de leitos foi reduzido para 130.
Segundo o diretor atual, Marcos Horikawa, com o quadro de pessoal disponível não dá para manter toda a estrutura em funcionamento. Há apenas 200 enfermeiras e auxiliares. Um concurso realizado recentemente para contratação não atraiu candidatos em número suficiente para preencher as vagas.


