Paulo Ubiratan
O aposentado Geraldo Salvador Moraes, de 72 anos, morreu na manhã de ontem, sem receber atendimento médico. Residindo a menos de vinte metros do Hospital Eulalino Andrade Vieira, na Zona Sul de Londrina, ele foi levado ao estabelecimento, onde lhe foi negado o atendimento. A direção alegou que o hospital está superlotado.
Neusa Aparecida de Almeida contou que seu marido sentiu-se mal e foi levado ao hospital. Como não foi atendido, ela resolveu levar o marido para o posto de saúde do bairro, por ser mais próximo. Diante da gravidade do caso, atendentes do posto chamaram o Siate, mas os socorristas não conseguiram evitar a morte do aposentado.
A viúva contou à Folha que levou o marido para o pronto-socorro assim que ele começou a se sentir mal. Mesmo estando perto do hospital, foi de carro. Mas, chegando no local, Neusa foi informada por um funcionário que o paciente não seria atendido porque estava ‘‘tudo lotado e não havia mais leito disponível’’.
Ainda mais desesperada, ela notou que o marido estava muito mal. Disse que um funcionário recomendou que ele fosse encaminhado ao Ambulatório Alto da Colina (zona oeste). ‘‘Mas achei melhor levá-lo ao posto de saúde, pois o Alto da Colina fica muito longe. Mesmo assim, ele acabou morrendo’’, contou a viúva.
O diretor-clínico do Hospital da Zona Sul, Sidney Girotto, admitiu que não houve o atendimento ao aposentado. E destacou vários problemas enfrentados pelo hospital. ‘‘Estas tragédias chegam a nos desanimar’’, disse.
Segundo o diretor, o hospital estava superlotado quando o paciente chegou. ‘‘Uma senhora estava entubada, um menino havia chegado com paralisia cerebral (acabou morrendo) e o corredor do hospital estava sendo usado para o atendimento do pronto-socorro. Não havia mais espaço nem para colocar doente no chão’’, afirmou.
Girotto enfatizou que o hospital faz turno de plantão com apenas dois médicos, um clínico-geral e um pediatra. ‘‘Qualquer problema maior de atendimento, cria um caos. Estamos atendendo por volta de 4 mil pacientes por mês com a mesma infra-estrutura de nove anos atrás, quando o hospital foi inaugurado. Cheguei a transformar o consultório do hospital em quarto’’, relatou o diretor.
Conforme relatório do médico do Siate, Humberto Botura, que atendeu o aposentado, Geraldo Moraes sofreu parada cardiáca. ‘‘Foram feitas massagens cardíacas, entubação, ventilação e aplicados medicamentos específicos. Mas não foi possível salvá-lo’’, informou o médico no relatório.O aposentado Geraldo Moraes, que mora a 20 metros de unidade hospitalar em Londrina, teve atendimento negado devido à superlotação
Dorico da SilvaRevoltaNeusa Almeida, que era casada com Geraldo Moraes (detalhe):‘‘Disseram que estava tudo lotado’’

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