Para marcar o Dia Mundial de Luta contra o Câncer, realizado hoje, o Hospital Erasto Gaertner - referência nacional na Região Sul no atendimento a pacientes com câncer - anunciou, ontem, dois importantes projetos que pretendem mudar a precária situação financeira vivida pela instituição. O primeiro desafio é aumentar a rede de voluntários que atua através da Rede Feminina de Combate ao Câncer, de atuais 300 pessoas para 5 mil voluntários em todo Estado. O segundo projeto visa obter de R$ 8 milhões a R$ 10 milhões de recursos dos orçamentos federal, estadual e municipal, através de emendas orçamentárias. Esse é o valor estimado para a conclusão das obras de ampliação do hospital, que estão paradas há três anos por falta de recursos.
Segundo Wanderley Donini, diretor administrativo da Liga Paranaense de Combate ao Câncer, entidade mantenedora do hospital, a meta é chegar a 5 mil voluntários até ao ano de 2010. A idéia é interiorizar o trabalho da Rede Feminina, de forma que todos municípios paranaenses com mais de 20 mil habitantes passem a ter representantes. Hoje a rede só está presente em 12 cidades.
O Hospital Erasto Gaertner é responsável pelo atendimento de 50% dos novos casos de câncer do Paraná. O hospital atende cerca de 10 mil novos casos mensalmente, resultando em média de 120 mil atendimentos por ano. Desse total, 50% são pacientes de Curitiba e região metropolitana, 40% do Interior do Estado e 10% provenientes de outros estados. A ampliação da instituição vai aumentar em até 40% sua oferta de leitos e serviços.
Esse aumento, de acordo com o médico oncologista Luciano José Biasi, diretor-geral do hospital, vem em boa hora, já que o hospital tem uma demanda reprimida de pacientes. O problema é que o hospital recebe apenas R$ 1,5 milhão a R$ 1,8 milhão de recursos federais, através do Sistema Único de Saúde (SUS) - quantia capaz de suprir 85% dos gastos em custeio. Os restantes 15% são cobertos com doações e convênios. ''Mesmo assim o hospital tem um déficit mensal de R$ 200 mil, o que nos obriga a chamar a sociedade a todo momento para nos ajudar na manutenção da entidade'', diz Donini. Dos 10 mil pacientes por mês, segundo Biasi, pelo menos 2,5 mil são atendidos sem o retorno de recursos do SUS.

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