Os pombos, símbolo mundial da paz, ameçam a tranquilidade dos moradores de Curitiba e podem se tornar motivo de discórdia. Hospitais e entidades da área de saúde afirmam que a proliferação maciça das aves pode provocar doenças pulmonares, entre elas a histoplasmose, e a meningite criptocócica. Este seria apenas um dos problemas. Para diminuir os riscos, a solução seria um extermínio natural das aves, com a redução da oferta de comida.
Nem todo mundo concorda com a medida, porém. Enquanto a prefeitura da capital recomenda que a população não dê alimento às aves, entidades de proteção ambiental e comerciantes tomam o caminho oposto. ‘‘Acho que a prefeitura tem muito mais coisa para se preocupar’’, dispara o comerciante Antonio Batista Pereira, proprietário do Aviário Recanto dos Passáros, que alimenta os pombos todos os dias.
A questão não é tão simples, afirma a médica Luzilma Terezinha Flenik Martins. Membro da Comissão de Controle de Infecção do Hospital Nossa Senhora das Graças, para ela os pombos são uma ameaça aos pacientes e funcionários do hospital. A médica aconselha os moradores próximos ao hospital a não dar comida às aves, numa tentativa de afastar os pombos da região.
A postura da médica não é isolada. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e a Secretaria Municipal de Saúde tentam consicentizar a população a seguir o conselho de Luzilma.
Segundo a coordenadora do serviço de zoonozes e vetores da Secretaria Municipal de Saúde, Maria Elisabete Ferraz, a saída para o problema é diminuir a aferta de alimento. Contrária a uma eliminação radical das aves, Maria diz que o número de pombos cairá proporcionalmente à diminuição da comida. ‘‘Não adianta capturar 50% da população se houver comida’’, afirma.
Eis o problema. Se depender de Pereira, por exemplo, nada mudará. Pereira continuará a alimentar os pombos, que em certos dias somam mais de 500 em frente ao seu aviário.

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