Enquanto em muitos hospitais do Paraná os pacientes precisam ser atendidos de forma improvisada por falta de leitos, o único hospital do município de Teixeira Soares (50 km ao sul de Ponta Grossa) pode fechar por falta de pacientes. Além da população de Teixeira, o Hospital Osvaldo Cruz atende também os moradores de Fernandes Pinheiro, totalizando uma clientela de 18 mil habitantes. Mas como o hospital tem uma estrutura deficitária, acaba ficando com poucos pacientes, o que inviabiliza o seu funcionamento.
O Osvaldo Cruz tem 21 leitos cadastrados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas a grande maioria não é ocupada. Ontem, por exemplo, havia apenas quatro pessoas internadas. ‘‘No mês passado, o dinheiro que recebemos do SUS não deu para pagar nem a metade da folha de pagamento’’, diz o diretor administrativo Gerson Otoni Vasco. O hospital tem 20 funcionários, além dos nove médicos e a folha é de aproximadamente R$ 8 mil.
A crise no hospital é agravada pela falta de equipamentos. ‘‘Nós temos que abrir mão de muitos procedimentos, alguns bastante simples, porque não temos equipamentos para fazer diagnóstico’’, explica Vasco. Como exemplo, ele cita a falta de um aparelho de raio X. ‘‘Todo paciente que chega até nós precisando de um raio X acaba sendo encaminhado para Irati porque não temos como diagnosticar’’, reclama.
A falta de equipamentos também traz dificuldades para a administração atrair profissionais. ‘‘Os médicos não querem trabalhar num hospital que não oferece recursos e torna a atividade mais difícil’’, considera. No início de março o hospital chegou a ser interditado porque ficou três dias sem médico. A casa hospitalar foi reaberta no começo de julho. Além disso, erros administrativos cometidos pela gestão anterior trazem gastos desnecessários. A ambulância do hospital paga pedágio porque foi registrada como carro particular.
A alternativa encontrada pela administração para evitar que o Osvaldo Cruz seja novamente fechado foi o lançamento, há menos de um mês, de um plano de associados. A população está colaborando e hoje o hospital já conta com 300 sócios, que contribuirão mensalmente com parcelas de R$ 8,00, R$ 15,00 ou R$ 30,00. A população também contribui doando alimentos para as refeições dos pacientes e a prefeitura paga parte dos plantões feitos pelos médicos.

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