Hospital pode fechar por causa de briga
Hospital pode fechar por causa de briga
Único da cidade, o Divina Providência não recebe atenção da prefeitura e sofre ameaça de ter que encerrar atividades
Vânia Moreira
Vânia Moreira
InstabilidadeMaria Evanir Fagundes, enfermeira há 24 anos, teme perder o emprego e já está procurando outro: Estamos rezando para que o hospital não feche Ignorado pela prefeitura por motivos políticos, o Hospital Divina Providência, o único de Ivaté (80 km a noroeste de Umuarama) ameaça fechar as portas. Com 23 leitos, o hospital está praticamente vazio, enquanto os pacientes da cidade que precisam de internação são levados para o hospital de Douradina, a 10 quilômetros de distância.
Marido da ex-prefeita Maria Elmida Panazollo, o médico Aldino Panazollo diz que está aguentando os prejuízos há mais de um ano a espera de alguma mudança. Agora não dá mais, lamentou. Secretária de Saúde durante um ano, a vice-prefeita Carmelita Sgavarato acabou demitida em abril por não aceitar a exclusão do hospital e de Panazollo do sistema público de saúde.
No centro da disputa política estão os moradores, temerosos em tomar partido e acabar sem atendimento médico, sem emprego ou perseguidos pelos grupos políticos. Alguns que fazem questão de ser atendidos no hospital local se sacrificam e pagam o tratamento. Outros acabam atendidos de graça. É o que consegue a dona-de-casa Cecília dos Santos Augusto, 39 anos.
A mãe dela, Josefa Gabriel da Silva, 74 anos, está internada de graça há quase um mês no hospital. Josefa não admite ir para outro hospital. A nora de Cecília, Maria de Fátima, 23 anos, grávida de 8 meses, também vai ter o bebê no Divina Providência. Josefa considera absurdo o doente ter de ir para Douradina e deixar o hospital de Ivaté falir.
Enfermeira há 24 anos no Divina Providência, Maria Evanir Fagundes, 38 anos, já está procurando outro emprego. Mas ela e os outros 11 funcionários ainda têm esperança de que o hospital não feche. Estamos rezando para que isso não aconteça, disse Maria.
O Hospital Divina Providência existe há 30 anos e pertence ao médico Aldino Panazollo há pelo menos 25 anos. Dos 20 leitos ocupados em média diariamente, hoje a lotação gira em torno de cinco leitos. A maioria dos quartos permanece vazia. Os equipamentos de raio-X e ultrassonografia também estão ociosos.
A prefeitura ainda fornece 5 AIHs (Autorizaão para Internação Hospitalar), mas a maior parte das quase 40 AIHs mensais que o município tem direito vai para o hospital de Douradina. Além das despesas médicas, o município ainda gasta com o transporte dos doentes até a cidade vizinha. Funcionários da 12ª Regional de Saúde em Umuarama alegam que não podem interferir porque o município tem autonomia sobre como e onde aplicar os recursos do SUS. A fiscalização cabe ao Conselho Municipal de Saúde.
Para atender consultas e primeiros socorros, todos feitos no posto de saúde, a prefeitura contratou dois médicos, um de Douradina e outro do Maranhão. O médico maranhense Edson Elias assumiu também o cargo de Secretário Municipal de Saúde. A única ambulância do município faz o transporte de todos os pacientes, seja para internamentos e cirurgias em Douradina, seja para atendimento com especialistas em Umuarama e outros centros.
Ex- distrito de Umuarama, Ivaté tem cerca de 7,6 mil habitantes e conseguiu se tornar município há 6 anos. A Folha tentou insistentemente falar com o prefeito Dario Benedito Anselmo de Souza (PTB), pessoalmente ou por telefone, mas não conseguiu.
A posse do secretário de Saúde coincidiu com a morte de uma criança de 3 anos no posto de saúde. Vereadores acusaram o médico de aplicar penicilina na menina e provocar um choque anafilático. O médico, a enfermeira e os pais da criança negam que ela tenha tomado qualquer tipo de medicamento.
O hospital é acusado de negar um medicamento solicitado por Elias para tentar salvar a vida da criança. Panazollo diz que ficou sabendo mais tarde que algumas pessoas estiveram no hospital pedindo adrenalina aos funcionários. Esse medicamento não pode ser liberado assim, sem mais nem menos, alega. A Polícia aguarda o resultado dos exames feitos no corpo para concluir o inquérito.





