Curitiba - A nova junta nomeada para dirigir o Hospital e Maternidade São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, ficará no cargo por apenas 15 dias, prazo em que negociará com a prefeitura e governo do Estado para conseguir um aporte de R$ 300 mil por mês, necessário para administrar a entidade. Os 220 funcionários já receberam, ontem, aviso prévio de 15 dias. Caso o déficit de recursos não seja resolvido nesse tempo, os empregados serão demitidos e o Conselho Deliberativo da instituição vai anunciar o fechamento do hospital.
A decisão foi tomada, anteontem à noite, em reunião do Conselho, que também oficializou a troca da direção. Desde fevereiro do ano passado, diante do estado de pré-falência, por decisão judicial, o hospital passou a ser administrado por uma junta, nomeada pela Associação Comercial, Industrial, Agrícola e Prestação de Serviço de São José dos Pinhais (Aciap). Depois de 14 meses de trabalho, no entanto, os empresários deixaram o comando da entidade, sob alegação de falta de apoio dos governos municipal e estadual.
''Não conseguimos nenhuma resposta definitiva da prefeitura e do governo. Por isso optou-se por nomear uma nova junta, em caráter temporário, para buscar derradeiramente um contrato de convênio de R$ 300 mil'', diz Ivan Rodrigues, que deixou o cargo de provedor.
Com 50 anos de existência, o hospital faz em média 150 atendimentos clínicos por dia. Tem capacidade de internamento de 104 leitos, mas apenas 80 estão operando. Na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) existem 12 leitos, nove credenciados pelo SUS, mas apenas cinco estão em operação.
A despesa mensal é de R$ 650 mil, contra uma receita de cerca de R$ 350 mil mensais, provenientes de repasses do SUS, convênios e consultas particulares. A instituição mantinha convênio com a prefeitura no valor de R$ 166 mil por mês, mas o último repasse foi feito este mês e o convênio terminou.
Segundo o novo provedor, Christian Bundt, a prefeitura tem disponibilidade orçamentária para manter o convênio. O governo do Estado também sinalizou com a possibilidade de conseguir R$ 100 mil por mês, mas pediu prazo de seis meses para começar a liberar esse recurso e garantiu que repassará R$ 350 mil em equipamentos para a UTI,
''Nós precisamos dos R$ 300 mil no final do mês. Se não conseguirmos, o hospital fecha'', diz Brundt. A expectativa é conseguir fechar um convênio de R$ 300 mil com a prefeitura e com duração de 24 meses, de modo a dar segurança para fornecedores e médicos.
Segundo a secretária de Saúde de São José dos Pinhais, Cristina Wallback, as negociações dependem da definição de um cronograma para a reabertura do pronto-socorro. Ela acredita, ainda, que como trata-se de hospital filantrópico, a junta não pode fechar a instituição, e que teria que negociar o repasse da gestão para uma outra instituição.

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