Silvana Leão
De Londrina
O Hospital Veterinário (HV) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) está fazendo uma pesquisa junto aos proprietários de cães infectados pela bactéria da leptospirose para determinar as chances do homem contrair a doença através do animal. A leptospirose tem sido registrada com frequência na área urbana, onde tem como principais hospedeiros os ratos (acima de tudo as ratazanas de esgoto). A bactéria é transmitida pela urina aos cães e seres humanos.
Se não for tratada corretamente, a doença pode levar à insuficiência renal e, nos casos mais graves, à morte. Há três anos foi instalado na UEL o único laboratório de diagnóstico completo de leptospirose do interior do Estado, capaz de detectar 22 sorotipos diferentes da bactéria leptospira. Teses de mestrado anteriores já demonstraram que os cães que saem para as ruas têm chances muito maiores de se infectarem, pelo contato com poças d’água, lixo e outros locais onde o rato pode ter eliminado a bactéria.
Os trabalhos desenvolvidos no HV visam traçar um perfil da doença em Londrina, fazendo inclusive um levantamento dos fatores de risco, que podem no futuro embasar as ações da Vigilância Sanitária. ‘‘Daqui um tempo vamos poder dizer, por exemplo, se nos casos de famílias infectadas foi o cão ou o próprio rato que transmitiu a bactéria’’, explica o professor Júlio César de Freitas, do Departamento de Veterinária Preventiva da universidade.
Segundo ele, os casos de cães infectados pela leptospira são frequentes na cidade e aumentam sensivelmente em períodos de chuva. Só na semana de 24 a 29 de maio deste ano, 13 animais examinados exibiam sintomas da doença. Destes, quatro casos foram confirmados. Embora a maioria dos cães infectados sejam da periferia, Freitas observa que a doença pode aparecer em qualquer ponto da cidade. ‘‘Já atendemos casos vindos da cidade inteira.’’
De acordo com o professor, as vacinas de leptospirose para cães existentes hoje em dia protegem das bactérias mais comuns, portanto oferecem um bom índice de eficiência. Os principais sinais de que a pessoa ou o animal foi infectado são febre, vômito e apatia. O primeiro órgão afetado é o fígado; em seguida, já na fase crônica da doença, o foco principal torna-se os rins. Em casos agudos, ocorre a necrose de língua.
O trabalho desenvolvido na UEL é feito em parceria com os setores de Vigilância Sanitária e Epidemiologia da Secretaria de Saúde do município. Os casos confirmados pelo laboratório de diagnóstico são comunicados à Vigilância, que visita as casas de onde vieram os cachorros para checar as condições de higiene e coletar sangue da família. Os dados obtidos e o material coletado é repassado de volta ao HV, que realiza o exame sorológico.

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