Pela primeira vez, os hospitais da comunidade Pequeno Príncipe e César Perneta, em Curitiba - que formam o maior complexo hospitalar infantil do Brasil e o segundo da América Latina - realizam campanha de arrecadação de doações via sistema automático de telefonia. Para fazerem doações, as pessoas podem ligar até a semana que vem para o número 900-0007 e contribuir com R$ 7,00. O dinheiro será investido em manutenção e no subsídio dos custos de tratamento. Ao contrário do que muitos paranaenses acreditam, as unidades não prestam apenas atendimento médico particular. Mais de 70% dos 324 leitos são ocupados por pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), por ser associação filantrópica, sem fins lucrativos.
Administrados pela Associação Hospitalar de Proteção à Infância Dr. Raul Carneiro, os dois hospitais não possuem dívidas. Mas, segundo a psicóloga e assessora da área de marketing, Patrícia Forte Rauli, a meta da campanha é arrecadar dinheiro para manter o padrão dos serviços médicos, já que são centros de referência em vários setores, entre eles o de cardiologia, hematologia e nefrologia. ‘‘Queremos também conscientizar a população que não somos uma entidade de atendimento de particulares. Esta é uma visão equivocada que a maioria tem’’, diz.
Os hospitais recebem crianças do Brasil todo. ‘‘Já chegou até nós menores de Roraima’’, diz Patrícia Rauli. Em três anos, os estabelecimentos viram crescer de 8% a 10% os internamentos. Em 1998, foram realizados no complexo 157.526 atendimentos ambulatorias, 17.556 internações, 83 mil exames radiológicos e 9.697 cirurgias.
Os pacientes da Grande Curitiba somam 57,76% do total atendido, contra 36,53% vindos do interior do Paraná e 5,68% de outros estados, a maioria de Santa Catarina. Mais de 20% do atendimento são via convênios com planos de saúde e 2,3% de particulares. Já na área ambulatorial, quase 100% dos atendidos são do SUS. Os hospitais têm doadores fixos, entre empresas e pessoas físicas. Os valores são insuficientes para todos os investimentos, a exemplo da nova Unidade de Terapia Intensiva, com 20 leitos, do Pequeno Príncipe, que inaugura no dia 17 de maio. Para o cirurgião cardíaco Fábio Sallum, ela será a maior UTI cardíaca infantil do País. A atual UTI tem 12 leitos.
Por enquanto, não há previsão de se contratar outros profissionais, além dos 940 atuais. Trabalham ainda no complexo, 184 médicos, 200 estagiários e mais de 100 voluntários. O programa Família Permanente, onde se permite que os pais ou outros parentes acompanhem a criança em todos os procedimentos em que ela tiver que se submeter no hospital, é um dos trabalhos inovadores.Kraw PenasEm três anos, Pequeno Príncipe viu número de atendimentos crescer 10%Ana Maria Tonial
Especial para a Folha

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