Hospital pediátrico não tem mais vagas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 12 de junho de 2001
Katia Michelle De Curitiba 
Nem o maior hospital pediátrico do Sul do País escapa de um problema que está se tornando um sintoma da saúde no Brasil: a falta de vagas. Nos últimos dois meses, o Hospital Infantil Pequeno Príncipe, em Curitiba, enfrenta uma superpopulação de pacientes. A instituição tem 327 vagas e somente ontem 334 crianças estavam internadas, com uma ocupação que ultrapassa em 2,14% o número total de leitos. Para suprir essa demanda, o hospital criou 30 novos leitos nas últimas duas semanas. Ainda assim, cerca de 20 pacientes esperam a abertura de uma vaga numa pequena área do hospital, enquanto dezenas aguardam atendimento fora dele.
A comerciante Eva Aparecida dos Santos trouxe o filho Fabrício, de 11 anos, de Paranaguá (Litoral do Estado) para ser atendido no Pequeno Príncipe. Chegou na madrugada de segunda-feira e na tarde de ontem ainda aguardava vaga para que o garoto pudesse ser internado. Ele tem problema de rim e em Paranaguá não há médicos que o atendam, lamenta. Eva passou a noite sentada numa cadeira, em uma sala improvisada onde estavam mais dez mães ou parentes de crianças enfrentando situação semelhante.
A dona de casa Angélica de Moraes Lima passou a noite no mesmo local, com o filho Gian Paulo, de 5 meses. Ela chegou ao hospital na segunda-feira e também aguardava uma vaga para internar a criança, que estava com vômito e diarréia. Vamos continuar esperando porque o atendimento aqui é bom, diz Angélica.
O diretor clínico do hospital, Donizette Giamberardino, explica que a situação não é algo que possa ser resolvido de imediato. Criamos mais leitos, alguns improvisados, mas a realidade é que a demanda não está sendo suprida, admite. O médico espera que a situação seja sazonal, ocasionada pela redução da temperatura. Nessa época o índice de infecções pulmonares e intestinais aumenta.
O Hospital Pequeno Príncipe oferece atendimento a todas as especializações pediátricas e atende uma média de 500 crianças por dia. Do total de leitos, 70% é ocupado pelo SUS, o restante por convênios médicos e particulares. Segundo Giamberardino, 200 médicos atendem no hospital.
Um dos fatores que estaria causando a superpopulação de pacientes do hospital pediátrico, conforme explica o diretor clínico da instituição, seria a mesclagem de pacientes portadores de enfermidades graves com pacientes que apresentam doenças comuns, como uma dor de ouvido. Para tentar resolver a situação, o hospital está orientando as mães dos pacientes para que procurem os postos de saúdes mais próximos de suas casas antes de levarem as crianças ao Pequeno Príncipe.


