Hospital pede ajuda da prefeitura para não fechar
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quarta-feira, 25 de maio de 2005
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
Bela Vista do Paraíso- Há pelo menos duas décadas, quem nasce em Bela Vista do Paraíso (40 km ao norte de Londrina) chorou pela primeira vez no Hospital e Maternidade São Jorge. Também para quem precisa das cirurgias mais simples ou de internamentos sem maior gravidade, o hospital (instalado no Centro desde a década de 60) é a única opção em Bela Vista.
Mas uma combinação de repasses insuficientes do Sistema Único de Saúde (SUS), dívida crescente e falta de recursos da prefeitura pode levar o São Jorge a fechar suas portas a partir do dia 15 de junho. Entre outras coisas, o fato impediria que os 30 partos mensais fossem feitos na unidade. Ou seja, ninguém mais nasceria em Bela Vista do Paraíso.
A crise começou há cinco anos, quando os 10 médicos sócios do hospital (desde 1975) decidiram encerrar as atividades por falta de recursos. ''Todo final de mês fazíamos uma chamada de capital entre os sócios para cobrir o defícit. Estávamos no limite'', conta o diretor-clínico Waldner Lima de Oliveira. Ele lembra que isso só não ocorreu na ocasião para não provocar um fato político importante às vesperas das eleições municipais. No ano seguinte, a prefeitura fechou um acordo com os médicos e se comprometeu a repassar mensalmente R$ 8 mil. ''Mas o repasse que seria mensal passou a ser esporádico'', informa.
O hospital se endividou e a prefeitura passou a ser a gestora depois que os passivos foram pagos pelos médicos. De acordo com o diretor-clínico, a dívida voltou a crescer no período em que a administração municipal assumiu a gerência das atividades.
No ano passado, a prefeitura e os médicos decidiram eleger a mais conceituada entidade filantrópica da cidade a Apae - como gestora do hospital. ''Era uma alternativa para tentarmos conseguir mais recursos, já que a ajuda da prefeitura não era uma receita garantida.'' Os recursos do SUS continuaram a ser escassos, cerca de R$ 22 mil mensais R$ 15 mil para o hospital e R$ 7 mil para os honorários médicos.
Embora continuasse com ocupação alta dos seus 25 leitos, a participação de pacientes do SUS passou a crescer proporcionalmente ao sucateamento dos equipamentos (que em média tem 20 anos de fabricação) e da própria deterioração do prédio. Como exemplos das consequências da falta de investimento, pode-se observar os baixos estoques de remédio e os problemas no autoclave, na estufa de esterilização e na centrífuga da lavanderia, todos quebrados e inativos. Há também reparos a fazer nas calhas e nas telhas. Em dias de chuva, os corredores são tomados por goteiras.
Atualmente, 90% dos procedimentos do hospital são feitos pelo SUS. ''Os pacientes de convênio e particulares preferem se deslocar a Londrina, onde as condições são bem melhores. Isto acabou descapitalizando o hospital'', conta o auxiliar administrativo André Rizardi Júnior, responsável pelo controle de receita e despesa do hospital.
O déficit de R$ 10 mil mensais e o início de execuções de dívidas junto à Previdência Social forçaram a diretoria a estipular o prazo de 15 de junho para parar o atendimento. ''A situação é crítica e já estamos tirando recursos da escola da Apae para poder manter o hospital em operação'', revela a presidente da entidade e gestora atual, Loide Rodrigues Ribeiro.


