Hospital não tem verba para concluir ala
Dimitri do Valle
De Curitiba
Uma contradição ronda o Hospital Erasto Gaertner. Apontado como referência nacional no combate ao câncer, o hospital está sem dinheiro para concluir a ampliação da nova ala. O local foi reservado para abrigar equipamentos de ponta que vão possibilitar a redução no tempo de tratamento dos pacientes. As obras foram paralisadas em março deste ano. Dos R$ 5 milhões necessários para concluir o projeto, a instituição desembolsou dos próprios cofres cerca de R$ 1 milhão. A verba foi suficiente apenas para erguer o esqueleto de concreto armado.
Para prosseguir com a construção, o diretor geral do hospital, Isidoro Cestari, aguarda a liberação de um empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A verba pode ser aprovada pelo banco estatal em fevereiro próximo. Com a retomada dos trabalhos, a estimativa de Cestari é de que a nova ala esteja funcionando em dois anos. O futuro prédio irá ampliar os serviços de radioterapia e vai abrigar as novas instalações do setor de quimioterapia, além de sediar a central de transplantes de medula óssea. Em apenas um dia, terá condições de atender cerca de 160 pessoas. Um equipamento de US$ 400 mil, que foi adquirido pelo hospital, vai reduzir o tempo de tratamento de cinco dias para uma sessão de 20 minutos. Porém, é preciso que o aparelho esteja abrigado em instalações adequadas.
Outro problema enfrentado pelo hospital são os custos gerados pelos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). Mesmo com os repasses em dia, o SUS não cobre as despesas geradas no tratamento dos pacientes. A tabela do sistema tem valores três vezes menores do que o mercado. Por exemplo: se o medicamento de quimioterapia custa cerca de R$ 650,00 no mercado, o SUS dispõe só R$ 200,00 para a compra do mesmo remédio. A diferença é coberta pelos recursos do hospital e empréstimos bancários. Cerca de 70% das pessoas que procuram atendimento no Erasto Gaertner são assistidas pelo SUS.
O SUS paga valores muito abaixo do custo verdadeiro que é gerado na área oncológica, lamenta Cestari. O Hospital Erasto Gaertner completou ontem 27 anos de existência. A história da instituição se confunde com os gestos de solidariedade dos segmentos organizados da comunidade. O hospital levou 17 anos para ser concluído. Foi erguido mediante contribuições espontâneas. Entre as entidades responsáveis por esta façanha está a Rede Feminina de Combate ao Câncer. São cerca de 250 voluntárias trabalhando diariamente em todos os setores do hospital e no recolhimento de donativos. Sem a rede, o hospital não se manteria, comenta o diretor geral. O setor de pediatria é um dos que mais ganha nesta época do ano. As voluntárias colocam à venda cerca de 1 milhão de cartões de natal para manter a ala das crianças com câncer.Referência no tratamento de câncer, estabelecimento sofre com a defasagem da tabela do SUS, que é inferior aos gastos por paciente
Fotos: Kraw PenasESQUELETODinheiro para terminar as obras pode sair em fevereiro, caso se formalize convênio com BNDES. Quando pronta, nova ala vai atender mais 160 pacientes





