A comissão de estudos sobre a viabilidade de funcionamento do Hospital da Criança e Pronto-Socorro Municipal de Cascavel, inaugurado em dezembro do ano passado e até agora desativado, está sugerindo
a transformação da instituição em Hospital Municipal da Criança, com a criação de uma fundação para administrar as finanças. O relatório final com a proposta foi entregue ontem ao prefeito Edgar Bueno (PDT). O documento conclui que não há possibilidade de ativar um pronto-socorro e um hospital infantil na edificação.
O relatório aponta que o prédio ‘‘não oferece condições técnicas, estruturais e funcionais para ser um pronto-socorro’’. Os argumentos são a falta de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), de um centro cirúrgico e de uma lavanderia. Outra sugestão para a implantação do Hospital da Crianças é a contratação do Centro Universitário São Camilo, de São Paulo, por ser ‘‘reconhecido nacionalmente e internacionalmente pelos seus patamares técnicos’’.
O presidente da comissão, médico Edmar Ulzefer, diz que o Centro São Camilo possui ‘‘ampla experiência em administração hospitalar e isso será fundamental na definição do cronograma de ações e na contratação de funcionários’’. Mas o valor do serviço pode inviabilizar a contratação.
De acordo com Ulzefer, a empresa apresentou uma proposta de R$ 15,6 mil para cuidar de todos detalhes da instalação e funcionamento do hospital. Ele afirma que alguns técnicos do centro universitário já estiveram conhecendo o prédio e concordaram com as deficiências existentes na obra.
O prefeito Edgar Bueno diz que as sugestões da comissão serão ‘‘profundamente analisadas’’ para que a decisão da prefeitura ‘‘respeite os recursos públicos aplicados na obra e priorize o bem-estar da população, especialmente das crianças’’. Ele acrescenta que não existe um prazo para a definição sobre o início do funcionamento do hospital.
O vereador e médico Jadir de Mattos (PTB) contesta as conclusões da comissão, afirmando que seria possível funcionar no local um hospital de atendimento a crianças e adultos. Ele observa que ‘‘a estrutura é suficiente para atender casos clínicos, necessitando apenas de alguns reparos, como lavanderia e sala de esterelização’’. ‘‘Os casos cirúrgicos podem ser encaminhados aos demais hospitais do município que possuem UTI e centro cirúrgico e estão aptos a atender casos graves’’, argumenta.
Para o vereador, ‘‘o maior equívoco da comissão’’ foi não ter realizado um plebiscito junto à população. ‘‘Se realmente quisessem colocar para funcionar, deveriam ter escutado as pessoas que necessitam de atendimento’’, declara.
O Hospital da Criança e o Pronto-Socorro Municipal foram entregues pela administração do ex-prefeito Salazar Barreiros, em dezembro do ano passado, após cerca de 10 meses de obras. A obra custou cerca de R$ 800 mil. As duas estruturas têm vários equipamentos que não estão sendo aproveitados devido à morosidade no processo de averiguação da comissão.

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