Hospital não atende e diabético morre
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quarta-feira, 03 de dezembro de 1997
Valmir Denardin Foz do Iguaçu 
O vigia aposentado Valentim José Dias, de 71 anos, morreu anteontem à tarde depois de passar por um posto de saúde e ter atendimento negado na Santa Casa de Foz do Iguaçu. Ele morreu em consequência de um quadro grave de diabetes.
A família do aposentado procurou o Posto de Saúde do bairro Profilurb 1 (região sul da cidade), por volta das 14 horas de anteontem. Como o estado de saúde dele era grave, o médico que atendia no Posto de Saúde resolveu encaminhá-lo à Santa Casa. Os postos de saúde da prefeitura não têm estrutura para atender casos de urgência, que devem ser enviados aos hospitais.
Dias foi levado à Santa Casa com um prontuário que o descrevia como um paciente em coma diabético. Mesmo assim, a recepção do Pronto-Socorro do hospital não internou o aposentado e o encaminhou ao Pronto Atendimento Municipal (PAM), um posto ambulatorial mantido pela prefeitura. Ele morreu às 15h30, pouco tempo depois de dar entrada no PAM.
O diretor-administrativo da Santa Casa, João Muller, disse ontem que Dias não foi atendido no hospital porque houve um erro de encaminhamento do paciente. Os funcionários do posto de saúde teriam esquecido de escrever no prontuário que o caso era de urgência ou emergência (quando há risco de vida). Os setores de pronto-socorro dos hospitais devem atender apenas pacientes nessas condições.
A funcionária achou que era apenas uma consulta, disse Muller. Segundo ele, o paciente não foi encaminhado ao único médico que trabalhava no pronto-socorro naquele momento porque ele (o médico) estava atendendo outro caso de urgência.
Muller afirmou também que o paciente deveria ter recebido aplicações de insulina (medicamento usado no tratamento de diabéticos) no posto de saúde, antes de ser encaminhado ao hospital. Segundo ele, isso poderia ter contribuído para evitar que o aposentado morresse.
O secretário municipal de Saúde, Sadi Buzanelo, contestou ontem a alegação da Santa Casa, de que houve erro no encaminhamento. Todo paciente encaminhado em situação de urgência ou emergência têm que ser atendido, independente de ter papel na mão ou não, afirmou. O bom senso, a lógica e a ética mandam que nenhum hospital rejeite paciente na porta, antes de passar por um médico, um enfermeiro ou até mesmo um auxiliar de enfermagem para avaliar em que condições ele se encontra, declarou o secretário.
Buzanelo disse que não poderia comentar a afirmação do diretor administrativo da Santa Casa, de que o paciente deveria ter recebido insulina ainda no posto de saúde. Segundo ele, só o médico que atendeu o aposentado poderia responder a essa questão.
Olga Terezinha dos Santos, filha do aposentado, disse que seu pai havia permanecido internado durante 12 dias na própria Santa Casa devido a uma crise da doença. Ele obtivera alta do hospital havia cinco dias. De acordo com Olga, seu pai não passava bem desde a noite de domingo. O corpo do aposentado foi sepultado ontem à tarde, no Cemitério Parque, no Jardim São Paulo (região leste de Foz do Iguaçu). O Ministério Público deverá abrir inquérito para apurar se houve omissão de socorro no caso.


