Londrina
O pronto-socorro do Hospital Londrina, localizado em Cambé, que está fechado desde a última quarta-feira, pode ser reaberto hoje. A informação é do diretor Francisco Eugênio Alves de Souza. Ele atribui a interrupção no atendimento do PS e do ambulatório ao impasse criado entre médicos ligados à Associação Médica de Londrina (AML) e convênios particulares.
Alves de Souza afirma que, como a maior parte dos convênios atendidos pelo Hospital Londrina não fechou acordo com a AML, os médicos tiveram que cumprir a determinação da associação, de cobrar dos pacientes o valor estabelecido pela Lista de Procedimentos Médicos de 96 (LPM). ‘‘Para evitar confusão entre médicos e pacientes, e problemas com falta de atendimento, decidimos fechar o ambulatório e o pronto-socorro’’, justificou Alves de Souza.
O diretor disse que, mesmo com a suspensão do atendimento, dois médicos permaneceram de plantão no hospital, prestando atendimento aos adultos. O problema maior, segundo ele, foi em relação à pediatria. Como não havia nenhum profissional disponível, as crianças tiveram que ser encaminhadas à Santa Casa de Cambé. Segundo a direção, uma média mensal de 6 mil atendimentos são prestados pelo PS e ambulatório.
A direção informa que o hospital possui um quadro formado por médicos que são funcionários e um grupo que recebe conforme a produção. O impasse no atendimento foi em função desse grupo que, seguindo determinação do Departamento de Convênios da AML, exige o cumprimento da LPM-96, que reajustou os valores cobrados pelos procedimentos médicos.
Pertencente ao Instituto Geral de Assistência Social Evangélico (Igase), que administra os hospitais do grupo ligado à seguradora Golden Cross, o Hospital Londrina tem 50 leitos. ‘‘As internações eletivas e de urgência continuam normalmente’’, diz Alves de Souza. O atendimento ambulatorial, informa o diretor, também deverá ser retomado nesta semana.
Eugênio Alves de Souza acredita que a liminar concedida na última sexta-feira pelo juiz da 6ª Vara Cível de Londrina, Celso Seikiti Saito, vai ajudar a resolver esse impasse entre o hospital e os profissionais da saúde. ‘‘Já estamos negociando com alguns médicos’’, afirma.
A liminar do juiz Celso Saito declara sem valor jurídico ‘‘o descredenciamento coletivo promovido pela AML, com base em procurações outorgadas pelos associados durante o movimento para a implantação da LPM’’.
O juiz proibiu a Associação Médica de exigir cumprimento da cláusula de exclusividade ‘‘imposta aos médicos filiados ao seu Departamento de Convênios, liberando os profissionais para negociarem os seus contratos de trabalho de acordo com as regras do mercado e a ética profissional’’.
Na liminar, o juiz determina à AML de se abster e cessar de imediato a intermediação de negociação em nome de qualquer dos associados. Também proíbe a AML de aplicar qualquer tipo de sanção disciplinar aos seus associados que celebraram ou que venham a fechar contrato de prestação de serviços junto às empresas de planos de saúde e caixas de assistência, sem a observação dos valores estabelecidos na LPM-96.

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