Hospital leva pacientes para posto de saúde
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quinta-feira, 19 de dezembro de 2002
Marta Medeiros<br>Equipe da Folha 
Maringá - A transferência compulsória de pacientes com distúrbios mentais do Hospital Psiquiátrico de Maringá para o Núcleo Integrado de Saúde (Nis 3) procovou tumulto ontem à tarde na unidade de saúde localizada no Jardim Alvorada, zona norte da cidade. Por causa de uma dívida de R$ 600 mil do município com o hospital, a direção do Psquiátrico decidiu remover os pacientes alegando falta de condições para o tratamento.
A situação revoltou o secretário de Saúde, Paulo Donadio, que acusou o hospital de usar os pacientes para pressionar a prefeitura. ''É um absurdo ver doentes mentais expostos nesta unidade e agora também pela imprensa'', afirmou o secretário.
Foram transferidos 26 pacientes que tiveram crises de choro ao sair do hospital e também ao chegar na unidade. A diretora do Nis 3, Olinda Sagrado, classificou a situação de absurda e disse que receber os pacientes seria um ato de irresponsabilidade porque a unidade não tem estrutura para atender pessoas com distúrbios mentais. Uma das pacientes estava há seis anos internada no Hospital Psquiátrico e assim que chegou no Nis 3 se deitou no chão e passou a ter crises, incapaz de entender o que estava acontecendo.
A Folha presenciou a conversa entre um auxiliar de enfermagem e um grupo de pacientes. Para tentar acalmá-los, o auxiliar disse que a situação era provisória e que a atitude dos pacientes iria ''ajudar a salvar o hospital''. Na semana passada, a direção do Hospital Psquiátrico havia comunicado a prefeitura de que iria transferir cerca de 20 pacientes por semana para serem alimentados, tratados e medicados em unidades da rede pública. O encaminhamento seria realizado até finalizar a transferência dos atuais 370 pacientes do Psquiátrico.
A diretora do hospital, Maria Emília Parisoto Mendonça, disse que o Psiquiátrico está sem crédito junto aos fornecedores e não pode continuar o atendimento. O secretário argumentou que os débitos com prestadores de serviços de sa© úde ultrapassam R$ 4,2 milhões. ''A origem dos problemas está no teto mensal do município junto ao SUS que é de R$ 2,7 milhões, enquanto os prestadores, a maioria hospitais, emitem uma fatura em torno de R$ 2,9 milhões'', informou.
O caso mobilizou representantes do Conselho Municipal de Saúde e do Conselho Regional de Medicina (CRM), mas nenhum dos dois órgãos havia conseguido convencer a direção do hospital a receber de volta dos pacientes. Até o início da noite de ontem, o secretário aguardava uma ordem judicial para encaminhar os pacientes de volta ao Psiquiátrico.


