Hospital investiga suspeita de eutanásia
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sexta-feira, 09 de maio de 2003
Adriana Savicki<BR>Reportagem Local 
A Polícia Civil de Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina) está investigando, a pedido do Ministério Público local, uma médica do Hospital São Lucas. Ela é suspeita de ter praticado eutanásia (morte induzida sem dor) em um paciente de 87 anos. O óbito ocorreu em 25 de março e a primeira denúncia partiu de uma enfermeira do próprio hospital há cerca de 10 dias. A instituição abriu processo administrativo para apurar responsabilidades e a médica foi afastada temporariamente do cargo.
O paciente estava internado, segundo o diretor do hospital, José Maria Fontana, há mais de um mês. O aposentado era portador de um marcapasso e estava com complicações cardíacas, pulmonares e outros problemas de saúde. ''Segundo consta, ele estava em estado terminal'', afirmou.
De acordo com a enfermeira que fez a denúncia cujo nome não foi divulgado pelo hospital a médica teria lhe ordenado que aplicasse um medicamento no paciente horas antes do óbito. Ela teria se recusado e testemunhado a médica aplicá-lo. O diretor não soube explicar qual o teor do medicamento mas adiantou que a enfermeira não cumpriu a ordem por considerar que prejudicaria o paciente. ''Vamos verificar tudo isso na investigação'', disse.
Na semana que vem, os envolvidos devem começar a ser ouvidos no hospital. A comissão tem um prazo de 60 dias para finalizar as investigações. Os fatos levantados serão anexados ao inquérito policial, também em fase inicial de investigação. O delegado de Sertanópolis não foi encontrado ontem para comentar o caso e não retornou as ligações da reportagem.
A reportagem da Folha entrou em contato com os familiares do paciente, mas eles preferiram não se pronunciar. O caso, que chegou a conhecimento público nesta semana, deixou a comunidade estarrecida e o assunto chegou a ser discutido na Câmara de Vereadores. ''A cidade está chocada e temos a intenção que a verdade venha à tona com essas investigações'', afirma o vereador Nilton César Santos Garcia (PL).
O termo eutanásia tem raiz grega e pode ser traduzido como ''boa morte'' ou ''morte apropriada'' e foi utilizado pela primeira vez em 1623, o que demonstra quanto é antiga a polêmica envolvendo a interrupção da vida de pacientes terminais. Em alguns países da Europa, a legislação é mais branda e na Inglaterra, por exemplo, são inúmeros os casos de pacientes que solicitam a eutanásia judicialmente.
No Brasil, contudo, essa prática é considerada crime de terceiros. O Código de Ética da Medicina também proíbe essa atitude. Vale ressaltar também que, apesar de não haver consenso judicial sobre o assunto, o termo eutanásia refere-se a morte com consentimento.


