O setor de internação do Hospital Infantil de Londrina está atendendo somente crianças com meningite. A decisão de direcionar o atendimento foi tomada ontem devido ao aumento de casos. Cerca de 25 crianças estão internadas no hospital com meningite virótica.
Ontem, o secretário municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian, admitiu a ocorrência de um surto da doença na cidade. ‘‘Mas não é uma epidemia’’, reafirmou. O secretário fez questão de ressaltar que a situação está ‘‘absolutamente sob controle e dentro da normalidade’’.
Pediatras ouvidos ontem pela Folha consideram o número de casos de meningite virótica atípico e preocupante. ‘‘Não é normal. É um surto’’, disse o pediatra José Carlos Schaefer, da Clínica Santa Paula. Só o pediatra encaminhou oito casos para internação no último mês. A clínica toda registrou cerca de 20 casos em novembro.
‘‘É importante avisar que a meningite virótica não é grave. E nem sempre os sintomas podem ser de meningite’’, salientou Schaefer. Issao Udihara, pediatra em Londrina, também confirmou o surto. Udihara constatou quatro casos nas últimas semanas, o que segundo ele ‘‘não acontece normalmente’’.
Algumas escolas da cidade decidiram antecipar as férias escolares. O Colégio Marista encerrou na terça-feira as atividades da pré-escola e da 1ª a 4ª séries. Ao todo 10 casos foram constatados no colégio. A Escola Presipe também decidiu encerrar o ano letivo, após a confirmação do sexto caso da doença entre alunos.
O diretor-geral do Hospital Infantil (HI), Álvaro Luis de Oliveira, acha o cancelamento das aulas um meio eficaz contra a disseminação da doença. ‘‘Isso evita a aglomeração das crianças’’, esclareceu. Oliveira também busca acalmar os pais: ‘‘Os casos são leves e as criança geralmente ficam no máximo três dias internadas’’.
Segundo o diretor do HI, o vírus ainda não foi identificado em Curitiba. A razão está na dificuldade em isolar o vírus causador da doença. A meningite virótica é transmitida facilmente através do ar, passando de uma pessoa para outra, semelhante a um resfriado. Por esse motivo, as crianças devem evitar lugares fechados e exposição excessiva ao sol. Se apontado os primeiros sintomas da doenças, como febre alta, dor de cabeça e vômito, os pais devem encaminhar as crianças ao médico.
‘‘Os casos com viroses são normais nesta época, como a meningite, varicela, rubéola e amigdalite. Não há muito o que se fazer em casa. O correto é buscar um atendimento médico especializado’’, disse Vera Lúcia Marvule, chefe do setor de epidemologia da 17ª Regional.

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