Hospital fecha pronto-socorro e promotor cobra ação urgente
Hospital fecha pronto-socorro
e promotor cobra ação urgente
Santa Casa restringe atendimento a casos de urgência; Ministério Público exige alternativas para plantão
Célia Baroni
Josoé de CarvalhoDeficiênciaPacientes em corredor da Santa Casa: maioria dos casos poderia ser resolvida nos postos de saúdeO caos volta a ameaçar o atendimento hospitalar à população de Londrina. Hoje é dia de plantão da Santa Casa, mas ontem a direção clínica do hospital já alertava: o pronto-socorro pode não conseguir atender os casos ambulatoriais. No último plantão, na terça-feira, o hospital fechou o PS devido à superlotação, limitando o atendimento aos casos de emergência. A partir das 21 horas de terça, quem procurou o serviço foi encaminhado para outros hospitais.
O diretor clínico do hospital, Miguel Alves Pereira Júnior, explica que no plantão de terça-feira foram atendidas 250 pessoas pelo PS da Santa Casa. É o dobro da média normal dos dias de plantão. Entre segunda e terça, o hospital prestou atendimento a 520 pacientes. Ontem 46 pessoas continuavam internadas no pronto-socorro, que tem apenas 18 leitos. Temos pessoas internadas nas salas de enfermaria e até nas unidades de atendimento a emergências, afirma Miguel Pereira Júnior.
A situação também preocupa no Hospital Universitário (HU). Ontem de manhã, dos 38 leitos do pronto-socorro, apenas quatro estavam desocupados, na ala masculina. A ala da pediatria já estava lotada e várias crianças ficaram em macas no corredor e até nos consultórios.
Ontem, dia de plantão do Hospital Evangélico, o ambulatório do Alto da Colina ficou lotado. Segundo o coordenador do serviço de emergência, Jorge Pereira Cardoso Júnior, o ambulatório do HE chega a realizar até 500 consultas nas 24 horas de plantão. Apesar das dificuldades, nós nunca fechamos o plantão, afirma o médico. O número de leitos do PS varia de acordo com a demanda. O médico esclarece que o HE organiza seu atendimento para reduzir o uso de leitos no pronto socorro.
Miguel Pereira Júnior, da Santa Casa, diz acreditar que as principais causas da superlotação são a falta de orientação da comunidade e o descrédito do sistema de saúde primário (postos de saúde) e secundário (hospitais da Zona Sul e da Zona Norte). Segundo ele, quem procura o hospital precisa realmente de atendimento médico, mas não necessariamente de pronto-socorro, onde o trabalho deve ser voltado para casos de emergência.
As pessoas confiam mais nos hospitais terciários, como a Santa Casa, quando poderiam ter o seu problema resolvido em um posto de saúde perto de casa, avalia Miguel Pereira. Ele acredita que um melhor funcionamento dos postos de saúde e dos hospitais da Zona Norte e Zona Sul resolveria a situação. Londrina é privilegiada: já conta com uma estrutura de postos de saúde excelente. Só falta um melhor direcionamento do serviço prestado à população.
O promotor de Defesa da Saúde Pública, Paulo Tavares, concorda com a análise do médico, mas quer uma solução a curtíssimo prazo para o problema. A situação exige uma ação rápida, afirma. Ele quer que os hospitais criem uma parceria mais definida para garantir o atendimento à comunidade.
Paulo Tavares pediu à Santa Casa um relatório explicando detalhadamente a situação que levou o hospital a fechar o PS na terça-feira. Até sexta-feira, ele pretende reunir diretores de todos os hospitais da Cidade para cobrar a elaboração de um plano de ação para dias de superlotação. Os hospitais alegam não ter estrutura para manter o atendimento de pronto-socorro todos os dias.
Mas Tavares diz: Santa Casa e Evangélico terão que se organizar para oferecer auxílio quando o hospital de plantão estiver com dificuldades.
Para o promotor, o perfil dos pacientes que buscam o pronto-socorro é um problema cultural, que ocorre em todo o País. Tavares diz que esse perfil só vai mudar com um trabalho de conscientização e a melhora dos serviços primários e secundários de saúde. É um trabalho imprescindível que vai trazer resultados a médio e longo prazos. Mas agora precisamos buscar outras alternativas.





