Rolândia Único hospital da cidade com setor de pediatria, o Hospital São Judas Tadeu, de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), não atende mais a partir de amanhã. Sufocada pelo excesso de dívidas só ao INSS deve mais de R$ 500 mil e cansada de peregrinar em busca de parceiros, a diretoria do hospital anunciou ontem que fechará as portas de uma das instituições mais antigas da cidade. Desde o começo do mês, somente a pediatria continuava em operação. Ontem, no entanto, as duas últimas crianças receberam alta. ''Estou acabado. Desativar um hospital com quase 50 anos de serviços prestados à comunidade é uma tristeza sem tamanho'', lamentou ontem João Jorge Nassif, diretor do hospital.
Preocupada com um possível colapso do sistema de sa© úde do município o Hospital São Rafael já apresenta sintomas de superlotação, com pacientes sendo internados em consultórios e corredores a prefeitura disse ontem, oficialmente, que pretende assumir o hospital e transformá-lo em um pronto-atendimento local. Para isso, enviou à Câmara Municipal um projeto de lei que autoriza o município a locar o prédio e os equipamentos do São Judas. Em troca, a prefeitura descontaria mês a mês a dívida de aproximadamente R$ 100 mil, referente ao não-pagamento de IPTU e ISS. O projeto foi aprovado ontem por unânimidade em primeira votação. A segunda discussão será realizada hoje à tarde, às 17 horas, para ratificar a decisão.
Com o encerramento das atividades, 33 funcionários dos setores administrativo, enfermagem, recepção, serviços gerais e raio-x ficarão desempregados. Segundo Nassif, todos serão convocados amanhã para assinar a rescisão. Os funcionários, porém, ainda sonham em continuar trabalhando. Ontem, o grupo enviou aos vereadores uma carta de apelo, pedindo que o Município opte pela terceirização dos serviços do hospital, o que possibilitaria a recontratação dos demitidos. Apesar da possibilidade ser muito remota a prefeitura alega que não pode contratar em período eleitoral um dos vereadores já anunciou que apresentará requerimento propondo a reincorporação do pessoal.
Segundo Nassif, o São Judas, mesmo oficialmente desativado, continuará negociando uma parceria com um hospital filantrópico de Londrina, que estaria analisando uma forma de reduzir as despesas operacionais com o acordo. A Folha apurou que são fortes os indícios de que a prefeitura pretende alugar o prédio e os equipamentos para repassá-los ao hospital de Londrina, que ficaria assim desobrigado a pagar as dívidas com o Município. Nassif disse ainda que uma instituição do Rio Grande do Sul também estaria estudando um convênio com o São Judas.
Sem pediatria, as internações infantis da cidade terão de ser feitas em hospitais da região. ''Não existe outra alternativa. Os hospitais de Cambé, Ibiporã, Arapongas e, principalmente, Londrina, terão de assimilar estas internações'', disse o diretor.

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