Hospital fecha as portas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 31 de outubro de 2005
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba A Casa de Saúde Nossa Senhora da Glória, no bairro Cachoeira em Curitiba, encerrou suas atividades ontem. O hospital, que atendia dependentes de álcool e drogas encaminhou seus 89 pacientes para serem atendidos pela prefeitura. Cerca de 60 profissionais - médicos, enfermeiros e pessoal de apoio - também perderam seus postos de trabalho.
De acordo com o gerente administrativo da casa de saúde, Paulo Pannunzio, a instituição teve que fechar devido a problemas financeiros. O motivo seria a falta de recursos e apoio do governo federal. ''Essa é uma política deliberada do governo federal, que quer se livrar dos encargos referentes aos hospitais psiquiátricos e de tratamento de dependentes. Nos últimos anos já foram fechados hospitais em Curitiba, Cascavel e Ponta Grossa por conta deste descaso.''
Segundo Pannunzio, o governo federal quer jogar o ônus do atendimento aos dependentes para os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), administrados pelas prefeituras. A diferença básica seria o horário de atendimento dos Caps, que não possuem estrutura para manter os pacientes internados o dia todo. Nos centros, os dependentes recebem tratamento de manhã e à tarde.
''A pressão do governo federal sobre os hospitais vem crescendo nos últimos anos. Não é apenas a pressão financeira, mas também administrativa: quando a fiscalização vinha, eles arrumavam picuinhas para dificultar o trabalho da administração. A situação foi ficando insustentável. Dos 220 pacientes que atendíamos, ficamos apenas com 89 em 2005'', explicou Pannunzio.
Não são apenas os hospitais psiquiátricos porém que reclamam da falta de verbas do poder público. O Hospital Feitosa, de Telêmaco Borba, anunciou no último dia 20 de outubro o fechamento de sua Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e o interesse em pedir o descredenciamento do Sistema Único de Saúde (SUS) por prejuízos acumulados nos últimos anos.
Ontem, entretanto, a administração do hospital anunciou que irá manter a UTI em funcionamento após o governo estadual comprometer-se a aumentar em R$ 50 mil mensais a verba destinada ao hospital. Além disso, foi firmado um convênio com as prefeituras da região e a empresa Klabin para que R$ 10 mil sejam repassados mensalmente para manter o atendimento nas especialidades básicas do SUS.


