Hospital faz campanha contra tabagismo
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terça-feira, 27 de maio de 2003
Thiago Mossini<br>Reportagem Local 
O Hospital da Zona Norte, em Londrina, aproveitou o Dia Mundial do Combate ao Tabagismo, comemorado sábado, para fazer uma campanha que visa diminuir o número de funcionários fumantes. Cerca de 30% das pessoas que trabalham no hospital fumam. O programa, que teve início anteontem, será aberto também para os moradores da região e pacientes.
Foi colocado um painel com informações sobre o cigarro e uma urna onde, durante toda a semana, os funcionários podem depositar as opiniões deles sobre o fumo no ambiente de trabalho e como lidar com a questão. Depois disso, as pessoas que mostrarem vontade de parar de fumar serão divididas em grupos que se reunirão semanalmente. Só entra no programa quem quiser. Ninguém será obrigado a parar de fumar.
''A adesão à campanha é voluntária. Não vamos fazer terrorismo com os funcionários fumantes'', afirma a fisioterapeuta Ana Luiza Oliveira Prado Souza, que coordena a campanha. Ela está colocando em prática sua tese de mestrado cujo tema é ''Programa de Cessação do Fumo'', defendida em março na Universidade Federal de Santa Catarina.
A tese é baseada em trabalhos realizados na Santa Casa de São Paulo, no Hospital Beneficência Portuguesa, Instituto do Coração (Incor) de São Paulo e Hospital das Clínicas. ''A eficácia comprovada é de 60% dos casos. Já é um ganho significativo'', garante.
O trabalho vai auxiliar o fumante a parar, fazendo ele repensar sobre o vício. Segundo Ana Luiza, será avaliado o grau de dependência de cada fumante e depois aplicadas as terapias comportamental e medicamentosa. A adesão dos funcionários está sendo grande. Muitos deles já tentaram parar de fumar, mas não conseguiram, como é o caso da auxiliar operacional Aparecida Parra, 52 anos, fumante desde os 16.
Ela conta que já tentou largar o vício várias vezes, mas não conseguiu. ''Fiquei no máximo três dias sem fumar. Fico muito irritada e nervosa. É uma dependência muito grande. Tentei me apegar no artesanato ou em atividades físicas, mas nem assim deu certo'', confessa. A fisioterapeuta afirma que o desenvolvimento dessas atividades podem auxiliar na abstinência. ''Se Deus quiser vou parar'', desabafa Aparecida.
Já a técnica-administrativa do hospital, Aparecida Edilene Gaspar, 35 anos, já está há um mês sem fumar. Ela tem o vício há 19 anos e fumava de um a dois maços por dia. ''Está complicado ficar sem o cigarro, mas existem muitas vantagens. Além de me livrar do cheiro, me sinto melhor'', comenta.


