Ontem, no segundo dia de greve dos servidores federais do HC, o hospital estava praticamente deserto. Leitos vazios, poucos funcionários transitando pelos corredores e alguns desavisados sentados do lado de fora. Esse era o cenário do maior e mais movimentado hospital do Paraná. Nem parecia o HC que atende em média 80 mil pessoas por mês. Somente transplantes de medula óssea e outros transplantes cujos doadores são mortos foram realizados ontem. Já os tranplantes intervivos (doadores vivos) foram adiados para a próxima semana, caso os grevistas retornem ao trabalho.
Cirurgias graves pré-agendadas também estão sendo mantidas. Dos 640 leitos do hospital, 286 estavam ocupados ontem. Anteontem, eram 340 internados. Apenas 400 dos 2050 servidores técnico-administrativos do HC mantinham o atendimento.
A aposentada Dodina Teixeira, 66 anos, que mora em Telêmaco Borba (128 quilômetros de Ponta Grossa), viajou a noite toda porque tinha consulta marcada para ontem, mas não foi atendida. ''Era a minha última consulta na qual o médico iria me encaminhar para fazer uma cirurgia no intestino. Não consigo mais defecar, meu intestino não trabalha nem com laxante'', reclamou.
Campanha ''Os dias estão passando. Não estamos recebendo e a situação das famílias dos nossos funcionários está ficando cada vez mais caótica'', desabafou o presidente do Sinditest, Antonio Neris.
Conforme Neris, cerca de 200 famílias já estão passando fome. ''Por isso, iniciamos hoje (ontem) uma campanha em que pedimos aos dois mil aposentados lotados no hospital que receberam os salários e a comunidade em geral que doe um quilo de alimentos para essas pessoas'', contou. É o caso da auxiliar de enfermagem Rosa do Rocio, separada e mãe de dois filhos, que sustenta sozinha a família.
Serviço: Mantimentos estão sendo arrecadados no Restaurante Universitário (HU), na Rua Amintas de Barros, em frente ao prédio da reitoria da UFPR, no centro de Curitiba. Maiores informações pelo telefone: (041)362-7373. (E.W.)

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