Hospital esclarece caso de mutilação
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segunda-feira, 28 de setembro de 1998
Paulo Pegoraro 
A diretora-geral do Hospital Regional de Cascavel (HRC), Lilimar Mori, informou ontem estar encaminhando à Polícia Civil de Francisco Beltrão (Sudoeste do Estado) suas conclusões sobre o caso do menino Maycon Pires, de 3 anos. Conforme queixa registrada na polícia pelos pais, ele teria sofrido mutilação de dedos da mão direita e apresentaria graves sequelas após cirurgia cardíaca no estabelecimento, no início de agosto. Em nota oficial, a direção relatou que a família havia sido informada previamente de que a situação do menor era grave e a cirurgia seria de risco.
Maura e Valdir Pires, os pais de Maycon, denunciaram à Polícia que ele teve as pontas de quatro dedos da mão direita decepadas no HRC, supostamente porque elas teriam sido queimadas por algum tipo de equipamento a que o menino foi submetido. Além disto, houve total comprometimento da fala, visão e mobilidade de braços e pernas. A origem do caso está no encaminhamento de Maycon ao HRC após passar por uma clínica e um posto de saúde de Francisco Beltrão, onde teria sido inicialmente constatado que o menino tinha contraído pneumonia.
Segundo os pais relataram à Polícia, Maycon foi posteriormente levado ao HRC em boas condições, e depois da cirurgia os médicos sequer deram uma explicação sobre as sequelas. Pela versão do HRC, o menino já havia deixado Francisco Beltrão em estado grave, com quadro de infecção há vários dias, decorrentes de problemas cardíacos que requeriam imediatamente uma delicada cirurgia. Esta situação, segundo o HRC, teria sido comunicada aos pais por médicos de Francisco Beltrão.
Durante a cirurgia no HRC, ocorreram duas paradas cardiorrespiratórias. Na fase pós-operatória foi observado que Maycon apresentava comprometimento cerebral (infecção) e diminuição de perfusão (menor circulação sanguínea) no cérebro e membros, inclusive nas pontas dos dedos. Segundo a versão do estabelecimento, estes problemas são inerentes das graves complicações estabelecidas antes do internamento. No caso das pontas dos dedos, a grave diminuição da circulação de sangue obrigou à ressecação das polpas (pontas).
A ressecação foi para evitar que a necrose e a infecção se alastrassem para o resto do organismo. O HRC admite ainda que a situação contingencial apresenta possibilidade de sequelas importantes. O HRC diz ainda que, em acompanhamento que está sendo feito por médicos de Francisco Beltrão, não há por enquanto qualquer referência oficial de que a criança apresente problemas de visão e fala. Segundo a diretora Lilimar Mori, o HRC levantou todas as informações pedidas pela Polícia para contribuir com o inquérito.


