Curitiba - O atraso de salário dos cerca de 2,2 mil funcionários do Hospital Evangélico está colocando em risco o atendimento aos pacientes. Na última sexta-feira, funcionários do laboratório da instituição chegaram a paralisar a atividade por algumas horas, ameaçando uma greve.
Os funcionários ligados diretamento ao hospital estão com os salários atrasados há um mês, já os prestadores de serviço que atendem à instituição não recebem pagamento desde julho do ano passado. O diretor geral do Hospital Evangélico, Charles London, confirma que os salários dos funcionários estão atrasados, mas garante que a situação será regularizada ainda esta semana.
Em entrevista à Folha, London negou que que os serviços no Evangélico estariam prejudicados e prometeu para ontem esclarecimento sobre a saúde financeira do hospital, que estaria passando por dificuldades desde o início do ano passado. ‘‘Nossa expectativa para esse ano é estabilizar a condição financeira do hospital’’, afirmou. Ele não soube informar, no momento da entrevista, quais os recursos repassados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ao hospital. Confirmou que a instituição estava passando por reformas e que os recursos aplicados seriam divulgados na segunda-feira, bem como o montante da dívida do hospital. Ontem, no entanto, London não atendeu à reportagem.
O Hospital Evangélico tenta captar recursos através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Essa seria a saída para tentar sanar as dívidas com os prestadores de serviços, que ultrapassa R$ 1 milhão. O atraso no pagamento aos prestadores de serviço já está causando demissões. Ex-funcionários do hospital e de empresas terceirizadas, que preferiram não se identificar, confirmaram que o Hospital Evangélico está atrasando o pagamento há um ano, mas que desde o primeiro semestre de 2001 não deposita o pagamento. Alguns prestadores ameaçam interromper o fornecimento caso o hospital não pague a dívida.
O Evangélico tem um dos maiores quadros de funcionários dos hospitais do Estado. Somente o corpo clínico conta com aproximadamente 300 médicos. Cerca de 8 mil pessoas são atendidas mensalmente no local. A instituição é referência em várias áreas da medicina, com destaque para o tratamento de queimados.

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