Hospital emprega apenados
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sábado, 13 de setembro de 1997
Lucinéia Parra Maringá 
Marcos NegriniAtendimento ao públicoCarlos Alberto trabalha na recepção do HU como pena por crime em acidente de trânsitoEm Maringá, os beneficiários pelo regime de prisão aberta prestam serviços à comunidade em diversas áreas. Com a criação do Pró-Egresso, em 1985, a Universidade Estadual de Maringá (UEM) passou a ser uma das instituições que mais absorve apenado em vários setores. Réu que foi beneficiado pelo regime aberto após ter cometido crime de atropelamento ou de acidente de trânsito, geralmente é encaminhado para o pronto-socorro do Hospital Universitário (HU).
O tapeceiro Carlos Alberto de Oliveira Guerra, 30 anos, é um dos beneficiários que está prestando serviços no HU. Ele sofreu acidente de trânsito em março do ano passado, quando levava uma amiga até o Thermas de Maringá. Outra acompanhante quebrou dois braços e teve contusão no tornozelo durante o acidente. Ela entrou na Justiça pedindo indenização de R$ 4 mil.
Guerra diz que não é culpado porque o acidente foi provocado pela quebra da direção do carro. Ele foi absolvido no primeiro julgamento, mas a vítima recorreu. Para não levar o caso adiante porque os custos com advogado estavam ficando elevados, Guerra aceitou a sentença da Justiça, que propôs a substituição da pena de reclusão por serviços à comunidade.
Guerra trabalha na recepção do HU e diz que pretende continuar o serviço de voluntário no hospital mesmo após o cumprimento da sentença. Ele trabalha quatro horas por dia, dois dias por semana. Fiz amizades com muitas pessoas e quero continuar trabalhando no hospital porque aqui a gente vê muita gente sofrendo e que merece um pouco de nossa atenção, disse. A pena concedida à Guerra foi de prestação de serviços durante sete meses. Ela já cumpriu quatro meses.
De acordo com a enfermeira-chefe do HU, Maria Amélia Fernandes, o setor que mais absorve os serviços de apenado é a recepção. Desde 1994 absorvemos estas pessoas e com exceção de um apenado que apresentou problemas de relacionamento com os demais funcionários, nunca mais tivemos dificuldades em trabalhar com eles, garante.
Segundo ela, os beneficiários da pena alternativa são bastante atenciosos e prestativos. Ela explica que o controle de frequência é feito através de cartão ponto. Se eles faltam, nós ligamos para saber o motivo ou entramos em contato com o Pró-Egresso para que tome as providências. Temos como norma informá-los que eles são necessários ao hospital. Estão nos ajudando, mas nós também estamos ajudando-os a cumprir o que a Justiça determinou.


