Imagem ilustrativa da imagem Hospital em Ivaiporã ameaça fechar se não receber verbas do Estado
| Foto: Gustavo Carneiro - Grupo Folha

Hospital foi fundado em 1969 e é uma referência em traumas para 16 municípios

Ivaiporã - O Hospital Maternidade Ivaiporã, no Vale do Ivaí, é uma unidade de referência em traumas para 16 municípios daquela região. A instituição, fundada em 1969, tem quatro salas de cirurgia, nove leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), 68 leitos, 120 funcionários e 30 médicos, que fazem 400 atendimentos por mês. Mas as dificuldades financeiras levaram a direção do hospital a anunciar a interrupção das atividades para o final de junho caso o governo do Estado não libere as verbas prometidas desde 2017, quando foi firmado o Termo de Adesão ao Hospsus (Programa de Apoio e Qualificação de Hospitais Públicos e Filantrópicos do SUS Paraná).

De cada dez atendimentos feitos no hospital, oito são pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Até o final de 2017, a instituição tinha caráter jurídico particular, mas há cerca de um ano e meio tornou-se filantrópico. “Nós já éramos filantrópicos, mas não era oficializado”, disse o diretor técnico do hospital, Orlando Sanchez Junior.

Os repasses do Hospsus são para os atendimentos de urgência e emergência e a liberação do dinheiro para cobrir essas despesas, afirmou o diretor, é fundamental para a manutenção das atividades. No mês de abril, o deficit financeiro do hospital foi de R$ 140 mil, mas a instituição tem um deficit acumulado de R$ 700 mil referente aos últimos dois anos. “Foram prometidos equipamentos, verbas e não recebemos nada. Na metade de 2017, fizemos o convênio com o Samu e aumentou a demanda de atendimento a traumas. Os médicos estão à disposição do hospital, mas não estão recebendo pelos atendimentos”, queixou-se Sanchez.

O diretor lembra ainda que desde 2009 a tabela do SUS não é reajustada, mas nesse período o hospital se atualizou e passou a ofertar novos procedimentos. “Temos também os salários dos funcionários e outras despesas.”

Segundo Sanchez, o governo do Estado ainda havia prometido incluir o hospital em um programa de obstetrícia de média complexidade. A região do Vale do Ivaí é carente de obstetras. “Fizemos reformas, houve gastos e descobrimos que o programa nem existe mais.”

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"Chegamos à conclusão que não dá mais", afirma o diretor da instituição, Orlando Sanchez Junior

Sem dinheiro, os médicos suspenderam as cirurgias. Para o centro cirúrgico são encaminhados apenas os casos de urgência e emergência. “Estamos funcionando pela boa vontade do corpo clínico, mas com a redução da produção piora ainda mais a situação financeira do hospital. Chegamos à conclusão que não dá mais. Fizemos empréstimos bancários pessoais. Queremos saber se o governo tem intenção de manter o hospital porque se não houver essa ajuda, vamos parar. Não vamos mais trabalhar de graça”, alertou o diretor. Em abril, ele procurou a 22ª Regional de Saúde e entregou uma solicitação de descredenciamento do Hospsus a partir de 30 de junho.

PROMESSA

No último dia 17, o prefeito de Ivaiporã, Miguel Amaral, e o representante da Ameri (Associação Médica Regional de Ivaiporã), Anderson Garcia, se reuniram com o secretário estadual de Saúde, Beto Preto, em Maringá (Noroeste), e saíram do encontro com a promessa de liberação do convênio do Hospsus e início dos repasses a partir do mês que vem. A instituição deve receber R$ 60 mil mensais. “A liberação desses repasses ajuda, mas não resolve o problema”, disse Garcia.

Por meio de nota emitida por sua assessoria de imprensa, a Sesa (Secretaria de Estado da Saúde do Paraná) confirmou a existência de um processo para inclusão do Hospital Maternidade no Hospsus 3 em tramitação e que recebeu avaliações favoráveis. O recurso, disse a assessoria, será liberado quando os trâmites estiverem concluídos. O termo aditivo prevê a incorporação de R$ 66 mil mensais, sendo R$ 60 mil referentes ao Hospsus e R$ 6 mil à participação de AIHs (Autorização de Internação Hospitalar) na região.

Para garantir a saúde financeira do hospital, a direção da instituição e o município esperam formalizar novos convênios com o governo do Estado, como atendimento às gestantes de médio risco. O assunto deverá ser discutido nesta semana, durante um novo encontro com o secretário de Saúde que deve acontecer em Curitiba.

'SERÁ UMA PENA SE FECHAR'

O motorista Valdir Cardoso da Silva mora em Jardim Alegre e sempre que precisa de atendimento médico se desloca até Ivaiporã, a dez quilômetros de distância. Ele vem acompanhando com preocupação a situação do Hospital Maternidade e torce para que a situação com o governo do Estado seja resolvida sem que haja prejuízos aos pacientes. “O atendimento aqui é muito bom. Sempre procuro atendimento aqui. Em Jardim Alegre tem um hospital municipal, mas os casos mais graves vêm para cá. Será uma pena se fechar. Recurso a gente sabe que tem, precisa vontade dos políticos”, opinou.

Há mais de 20 anos vivendo na região, a lavradora Isabel Milani Pierobom teme pelo pior. Ela mora a 70 quilômetros de Ivaiporã, no município de Godoy Moreira (Vale do Ivaí), onde só tem clínico geral. “Eu, minha mãe, meus filhos, noras e netos só nos consultamos aqui. Não pode fechar, é preciso que se encontre uma solução. São as pessoas mais carentes as que mais precisam. Se fechar, como a gente fica? Nem sei para onde eu iria porque tudo é muito longe.”

“Eu nasci aqui nesse hospital. É triste o que está acontecendo. Ouvi dizer no posto de saúde que a situação financeira deles estava ruim e que não iriam atender mais os municípios. Se isso acontecer, não sei o que vai ser de todas essas pessoas que dependem do hospital”, disse a dona de casa Isabel de Miranda da Silva, moradora de Lidianópolis, a 23 quilômetros de Ivaiporã.

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