Hospital em Ibaiti é alvo de briga judicial
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terça-feira, 09 de setembro de 2003
Benedito Teles<br>Equipe da Folha 
Ibaiti Alvo de uma disputa judicial, o Hospital de Misericórdia São João Batista em Ibaiti (94 km ao sul de Jacarezinho) ficou quase um ano sem manutenção ou vigilância. Neste período a área interna foi invadida e os equipamentos, móveis e os documentos foram depredados. A disputa é entre a prefeitura e a entidade mantenedora, a Congregação das Irmãs de São João Batista e Santa Catarina de Sena - Medéias.
No último dia 29 a congregação retomou, por determinação judicial, a posse do local. A disputa judicial começou em 2002 com a desativação parcial de uma área do hospital e divergências quanto ao valor da locação. A prefeitura alugou as instalações em 1999. A assessoria jurídica da congregação estima que, em valores atuais, a dívida é de R$ 280 mil.
O advogado das religiosas, Messias Rodrigues, disse que a retomada do prédio é fruto de uma ação de despejo. Ele afirma que contrato previa a locação do prédio e dos equipamentos, mas que os utensílios foram desviados ou danificados na transferência do atendimento para outro hospital municipal.
O advogado disse que vai solicitar um exame pericial dos danos e um levantamento dos equipamentos destruídos, mas antecipa que o prejuízo pode ultrapassar R$ 450 mil. Ele também alerta que a congregação avalia a possibilidade de ajuizar novas ações indenizatórias contra a prefeitura. O objetivo, segundo ele, seria recuperar o patrimônio. ''O abandono do hospital deve ser reparado.''
O vereador Dirceu Silveira Bueno (PP) classificou a situação do hospital como lastimável.
O prefeito de Ibaiti, Roque Fadel (PDT), afirmou que o município tentou, várias vezes, adquirir o prédio, mas que nunca houve um acordo. ''Nossa disposição sempre foi de negociar.'' Segundo ele, em 1999 as religiosas já haviam manifestado a decisão de fechar o hospital. Fadel disse que, na ocasião, a prefeitura decidiu intervir para evitar o fechamento.
Ele disse que o objetivo de unificar o atendimento e utilizar os dois hospitais foi inviabilizado pela despesa excessiva do hospital antigo. Em 2001, a administração municipal antecipou a saída para evitar o despejo judicial. O prédio, segundo ele, estava à disposição das religiosas naquele ano.
O advogado da prefeitura, César Augusto de Mello e Silva, admite o problema de falta de pagamento dos aluguéis, mas alerta que os valores estão sendo contestados. ''Grupos políticos estão usando as religiosas'' advertiu.
Silva afirmou que a depredação foi causada pela congregação devido a um impasse no recebimento das chaves do imóvel. Ele explica que, por diversas vezes, a chave foi entregue, mas que a congregação se recusou a receber. Segundo ele, no início do ano a chave foi entregue judicialmente. ''Eles não queriam as chaves.''
Silva disse que os equipamentos e utensílios de menor porte foram guardados por cautela. Todo o material, segundo ele, está à disposição da congregação.


